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Advogado é indiciado por feminicídio em Santarém

Advogado é indiciado por feminicídio em Santarém

Polícia descarta suicídio e indicia advogado

A Polícia Civil de Santarém, no Pará, indiciou um advogado por feminicídio após laudos periciais descartarem a hipótese de suicídio da companheira. O crime ocorreu na noite de 19 de julho, no bairro Aparecida, onde o casal residia. A vítima, Tainá Yarina, foi morta a facadas dentro do apartamento. O suspeito foi preso em flagrante na mesma noite e alegou que a companheira havia se matado após uma briga.

Segundo a delegada Márcia Rabelo, responsável pelo caso, os laudos periciais comprovaram que não havia a menor possibilidade de a vítima ter autoinfligido aquele golpe de faca. A perícia técnica afastou totalmente a tese de suicídio levantada pelo investigado. A autoridade policial ressaltou que as evidências técnicas foram decisivas para o indiciamento.

O indiciamento representa um avanço na investigação, que agora segue para o Ministério Público. A defesa do acusado ainda não se manifestou publicamente sobre o caso. A fonte não detalhou se houve pedido de prisão preventiva.

Laudo aponta automutilação no suspeito

Outro laudo pericial apontou que os cortes superficiais encontrados no corpo do advogado no dia do crime tinham características de automutilação. De acordo com a investigação, os ferimentos foram provocados por ele mesmo, possivelmente para tentar simular uma legítima defesa ou briga corporal. Essa constatação reforça a tese de que a versão apresentada pelo suspeito não condiz com a realidade dos fatos.

A análise das lesões foi fundamental para desconstruir a narrativa inicial do investigado. A perícia identificou que os cortes não apresentavam profundidade compatível com uma luta real. Além disso, a localização e o padrão das feridas sugerem autoagressão. Tais elementos técnicos são frequentemente utilizados em casos de feminicídio para desmascarar simulações.

Com base nesses laudos, a polícia concluiu que o advogado tentou forjar um cenário de confronto. A conduta de simular legítima defesa é considerada um agravante no contexto de violência doméstica. A fonte não detalhou se o suspeito apresentou alguma justificativa para os ferimentos.

Contradições na versão do suspeito

Além das evidências periciais, a polícia identificou contradições imediatas na versão do suspeito. A demora de quase uma hora para pedir socorro foi um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores. Outro aspecto relevante foi o fato de o sangue no apartamento já estar seco quando as equipes de resgate chegaram. Esses elementos indicam que o acusado não agiu com a urgência esperada diante de uma suposta tentativa de suicídio.

O intervalo entre o suposto ocorrido e o acionamento do socorro é incompatível com a alegação de que a vítima teria se ferido sozinha. A secagem do sangue também sugere que o crime ocorreu muito antes do chamado. Tais inconsistências foram cruciais para o aprofundamento das investigações. A polícia não divulgou o conteúdo integral do depoimento do suspeito.

O caso gerou comoção em Santarém e reacendeu o debate sobre violência doméstica. A vítima, Tainá Yarina, não tinha histórico de ideação suicida, segundo relatos de familiares. A fonte não detalhou se havia medidas protetivas anteriores.

Impacto jurídico e próximos passos

O indiciamento por feminicídio qualifica o crime como homicídio qualificado, com pena prevista de 12 a 30 anos de reclusão. A Lei nº 13.104/2015 incluiu o feminicídio no rol dos crimes hediondos, o que impede fiança e aumenta o rigor no cumprimento da pena. O advogado, se condenado, também poderá perder o registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), conforme o Estatuto da Advocacia.

O processo seguirá para o Ministério Público, que poderá oferecer denúncia à Justiça. Caso a denúncia seja aceita, o réu responderá perante o Tribunal do Júri, competente para julgar crimes dolosos contra a vida. A prisão preventiva pode ser decretada a qualquer momento, considerando a gravidade do crime e a tentativa de simulação. A fonte não detalhou se o suspeito permanece preso.

Para advogados e operadores do Direito, o caso ilustra a importância da prova pericial em crimes de feminicídio. A atuação técnica da perícia foi determinante para afastar a tese defensiva e embasar o indiciamento. O episódio também reforça a necessidade de capacitação de profissionais para identificar sinais de simulação em cenas de crime.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
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