Condenação por golpes contra clientes
O advogado Michel foi condenado a 22 anos de prisão e ao pagamento de mais de R$ 400 mil em indenização por aplicar golpes contra clientes em Goiás. A sentença foi proferida pelo juiz Breno Gustavo Gonçalves dos Santos e divulgada nesta quarta-feira (30). Conforme a decisão, ele foi condenado por crimes contra 27 vítimas e absolvido em um único caso. O magistrado negou ao réu o direito de recorrer em liberdade, mantendo-o preso desde julho de 2026, quando foi detido.
Durante o interrogatório, Michel confessou ter cometido os atos ilícitos.
A condenação abrange os delitos de estelionato e apropriação indébita, praticados no exercício da advocacia. A sentença detalha que o profissional utilizava a confiança depositada pelos clientes para obter vantagens financeiras indevidas. A pena de 22 anos reflete a gravidade e a extensão dos danos causados a dezenas de famílias. A indenização superior a R$ 400 mil visa reparar, ao menos parcialmente, os prejuízos materiais suportados pelas vítimas.
Modus operandi do advogado
Segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás, Michel prometia reduzir de forma significativa juros e parcelas de financiamentos de imóveis e veículos. Após estabelecer uma relação de confiança com os clientes, ele solicitava novos pagamentos sob a justificativa de custear despesas processuais, como taxas judiciais, guias, perícias e depósitos em juízo. A sentença aponta que os valores não eram utilizados para as finalidades informadas, configurando o estelionato.
Em alguns casos, o então advogado orientava os clientes a deixar de pagar as parcelas de financiamentos ou imóveis e entregar os valores diretamente a ele. A alegação era de que o dinheiro seria depositado em contas vinculadas à Justiça, o que nunca ocorreu. Essa prática agravava a situação das vítimas, que acumulavam dívidas e ficavam expostas a cobranças e ações de despejo. A decisão judicial destaca que, em diferentes processos, os feitos foram extintos sem resolução do mérito por falta de providências do advogado.
Relatos das vítimas
Em entrevista à TV Anhanguera, a vítima Adeildo Leite de Araújo detalhou as orientações recebidas de Michel. Ele contou que o advogado pedia que parasse de pagar as prestações do loteamento, supostamente para forçar uma negociação. Ao mesmo tempo, solicitava dinheiro para quitar parcelas atrasadas, criando um ciclo de dependência financeira.
“Ele ligava fora do horário, pedindo PIX para pagar duas, três prestações que estavam mais atrasadas. A gente enviava o PIX para ele. E nada foi pago”, relatou Adeildo. O depoimento evidencia a manipulação emocional e a exploração da vulnerabilidade das vítimas. Muitas só perceberam o golpe quando passaram a enfrentar cobranças, ordens de despejo e risco de perda de imóveis. A sentença reconhece que os danos extrapolam o aspecto financeiro, atingindo a estabilidade familiar e a confiança no sistema de justiça.
Medidas da OAB-GO
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informou que o registro do advogado está suspenso preventivamente. O Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da OAB-GO instaurou procedimento para apuração de desvio profissional. A suspensão preventiva é uma medida cautelar que visa proteger a sociedade e a credibilidade da advocacia enquanto o processo ético-disciplinar tramita.
A OAB-GO ressaltou que condutas como as descritas na sentença violam o Código de Ética e Disciplina da OAB e podem levar à exclusão dos quadros da Ordem. O processo no TED é independente da ação penal e pode resultar em sanções adicionais, como a cassação do registro profissional. A entidade reforçou seu compromisso com a fiscalização do exercício profissional e o apoio às vítimas.
Impacto para clientes e advogados
O caso serve de alerta para clientes que contratam serviços advocatícios, especialmente em demandas envolvendo renegociação de dívidas e financiamentos. É fundamental verificar a regularidade do profissional junto à OAB, consultar referências e desconfiar de promessas milagrosas. A recomendação é que todos os pagamentos sejam feitos mediante contrato escrito e comprovantes, preferencialmente por meios rastreáveis.
Para os advogados, a condenação reforça a importância da ética e da transparência na relação com o cliente. A violação dos deveres profissionais não apenas gera responsabilização criminal e civil, mas também mancha a reputação de toda a classe. A OAB tem intensificado a fiscalização e o julgamento de casos de desvio de conduta, buscando preservar a confiança da sociedade na advocacia.
A decisão do juiz Breno Gustavo Gonçalves dos Santos ainda está sujeita a recurso, mas o réu permanece preso. A fonte não detalhou se a defesa já apresentou apelação. O processo tramita na Justiça de Goiás e o número não foi divulgado na sentença pública.
Fonte
- www.direitonews.com.br
- Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (fenaj.org.br)
- Assine aqui. (pay.hub.la)
Últimas publicações
Notícias2 de outubro de 2026MP pede multa por propaganda irregular eleitoral
Notícias2 de outubro de 2026Advogado que deu golpes em clientes pega 22 anos de prisão e multa
Notícias2 de outubro de 2026Resolução 689 do CNJ traz mais problemas que soluções
Notícias2 de outubro de 2026Mendonça revê voto sobre post de Nossa Senhora




























