Home / Notícias / Para Gilmar Mendes, impeachment de ministros do STF é difícil

Para Gilmar Mendes, impeachment de ministros do STF é difícil

Para Gilmar Mendes, impeachment de ministros do STF é difícil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou, em conversa com jornalistas após um evento em Brasília, que a defesa do impeachment de ministros da Corte é um “equívoco compreensível”, mas de difícil execução. Para o decano, a pauta pode ter apelo eleitoral, mas esbarra em obstáculos institucionais. A declaração ocorre em meio à campanha eleitoral, na qual o impeachment de magistrados se tornou central no discurso da direita, capitaneado pelo candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.

O impeachment de ministros do STF mobiliza os dois lados do espectro político. Enquanto a direita defende a medida como forma de conter o ativismo judicial, Gilmar Mendes a classifica como um “equívoco compreensível”, reconhecendo seu apelo, mas alertando para as dificuldades de implementação.

Apelo eleitoral e dificuldade de implementação

Durante o evento, Mendes reconheceu que o tema pode render frutos nas urnas: “Certamente algumas pesquisas indicam que isto tem um apelo eleitoral”. Na avaliação do decano, no entanto, a transformação desse discurso em realidade enfrentaria um caminho tortuoso.

“Entre o pensamento e a ação, o pensamento e o gesto, vai uma distância enorme.”

Para Mendes, mesmo que um candidato eleito adote essa bandeira, “terá imensas dificuldades de implementá-la”. Ele acrescentou que “todo o aparato institucional caminhará talvez num outro sentido”, sugerindo resistência das instituições a mudanças drásticas.

Decano diz que não se impressiona

Questionado se a simples promessa de campanha o preocupa, Mendes foi direto: “Não, absolutamente”. Para justificar a tranquilidade, o ministro recorreu a uma metáfora:

“Eu sou um enfermeiro que já viu sangue. Então, não me impressionam essas promessas de campanha.”

A fala, carregada de ironia, indica que o decano enxerga o tema como mais retórico do que factível, ainda que reconheça seu potencial eleitoral. Mendes não detalhou, contudo, quais experiências embasam a comparação.

Estratégia da direita para o Senado

A defesa do impeachment de ministros do STF se tornou peça central na campanha eleitoral da direita. Propalada pelo candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, a ideia também moldou a montagem das chapas de senadores do partido e de aliados. O objetivo é obter maioria no Senado para escolher o próximo presidente da Casa e dar sequência às dezenas de pedidos de impeachment que estão parados no Congresso.

Para viabilizar o plano, Flávio Bolsonaro divulgou uma lista de candidatos ao Senado que têm seu apoio no pleito deste ano. O documento reúne 47 nomes distribuídos nas 27 unidades da federação. Segundo a divulgação, a maioria do grupo é favorável ao impeachment de ministros da Corte.

Números da estratégia

  • 47 candidatos apoiados por Flávio Bolsonaro;
  • 83% do total (ao menos 39) já defenderam publicamente o impedimento de membros do STF, especialmente do ministro Alexandre de Moraes;
  • 54 votos são necessários para condenar um ministro à perda do cargo no Senado.

Em outubro, serão eleitos 54 dos 81 senadores, dois por estado, para um mandato de oito anos. A meta é alcançar o contingente necessário com o apoio não apenas dos candidatos da lista, mas também de aliados da centro-direita e do centrão. Sem esse número, qualquer pedido de impeachment tende a ser arquivado sem deliberação.

Mendes evita cenários de impeachment

Diante da possibilidade de a estratégia ganhar força, Gilmar Mendes preferiu não trabalhar com hipóteses. Questionado se a avaliação mudaria em um cenário de eleição de Flávio Bolsonaro, o decano desconversou:

“Não avalio. Não imagino e também não vou trabalhar sobre cenários neste momento.”

A postura contrasta com a segurança demonstrada ao rebater as promessas de campanha. Ainda assim, o ministro não apresentou análise sobre o que poderia ocorrer no Congresso caso a direita realmente conquiste a maioria necessária.

Defesa de Alexandre de Moraes

Ainda na conversa com jornalistas, Gilmar Mendes saiu em defesa de Alexandre de Moraes. O colega de Corte autorizou recentemente uma busca e apreensão contra informantes do jornalista Luís Pablo, do Maranhão, que publicou textos sobre o ministro Flávio Dino. A manifestação ocorre em um momento em que Moraes é o principal alvo entre os ministros citados nos pedidos de impeachment, conforme levantamento da Folha. O decano, no entanto, não detalhou os motivos de sua defesa.

Conclusão

A fala de Gilmar Mendes sintetiza a visão de que o impeachment de ministros do STF é mais uma ferramenta de campanha do que uma possibilidade concreta no cenário atual. O decano reconhece o apelo do tema, mas aponta a complexidade institucional para sua realização. Resta saber se, após as eleições, os discursos se transformarão em ações concretas.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
Avatar

Inscreva-se para receber o boletim informativo periodicamente

Fique por dentro das novidades com nossa newsletter semanal. Assine agora para não perder nenhuma atualização!

Um comentário

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *



Redes Sociais


Assine nossa newsletter para receber via e-mail atualizações sobre nossas publicações


Atualize-se