O Conselho Superior do Ministério Público Federal formou maioria, nesta quarta-feira, para não afastar o procurador-geral da República, Paulo Gonet, das investigações relacionadas ao Banco Master. A decisão foi tomada em sessão do órgão, composto pelos dez integrantes da cúpula da instituição, mas com a ausência de Gonet, nove participaram da votação. O relator do caso, Herman Benjamin Sanseverino, votou contra a instauração de procedimento para apurar eventual crime atribuído ao chefe do MPF, por considerar que não há elementos mínimos de materialidade ou autoria.
Com a maioria formada, prevalece até o momento o entendimento de que não há elementos suficientes para dar prosseguimento à apuração sobre eventual crime atribuído a Gonet. Também há maioria contra o afastamento genérico do procurador-geral dos casos relacionados ao Banco Master. Ainda assim, duas conselheiras, Janice Ascari e Samantha Chantal Dobrowolski, divergiram e defenderam a designação de um subprocurador-geral da República para aprofundar a análise.
Relator rejeita análise isolada de mensagens
Em seu voto, Sanseverino afirmou que mensagens com referências ao procurador-geral encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro não podem ser analisadas de forma isolada ou fora de contexto. “Não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada e/ou descontextualizada para não criar uma situação artificial e que não corresponda à realidade dos fatos”, afirmou o relator. Ele concluiu que não há, nos autos, elementos mínimos de materialidade ou autoria de crime atribuível a Gonet.
Por isso, votou contra a instauração do procedimento e considerou prejudicados os pedidos para afastar o procurador-geral das investigações relacionadas ao Banco Master. “Inicialmente, impõe-se destacar que, para dar início à investigação criminal, é necessário existir elementos mínimos da materialidade e da autoria dos fatos”, afirmou. Ao concluir seu voto, o relator afirmou que a atuação do PGR e do Gabinete do PGR seguiram “os princípios da legalidade, da utilidade e eficiência da persecução penal, bem como respeitou o princípio da independência funcional”.
Ausência de contato direto enfraquece tese
O relator destacou que a Polícia Federal não encontrou no celular de Daniel Vorcaro contato salvo com o nome “Paulo Gonet” ou “Gonet”. Segundo o voto, também não há registro de conversa direta entre o ex-banqueiro e o procurador-geral. As referências a Gonet foram identificadas principalmente em conversas entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares. Para Sanseverino, a ausência de comunicação direta “já enfraquece a tese da alegada existência de ‘amizade íntima’” entre Vorcaro e o chefe do Ministério Público Federal.
Sobre o encontro entre Gonet e Vorcaro em Londres, em abril de 2024, Sanseverino afirmou que se tratou de um episódio “isolado” e “superficial”, em ambiente social e na presença de outras pessoas. O voto afirma ainda que Gonet reconheceu ter falado com Vorcaro uma segunda vez, em 15 de março de 2025. Ao tratar das mensagens sobre uma possível viagem a Londres em 2025, Sanseverino afirmou que não houve solicitação direta ou indireta de vantagem por parte de Gonet.
Segundo o relator, as conversas ocorreram entre Vorcaro e Ciro Soares.
“O que se pode colocar de forma bem objetiva é que se trata de conversas de terceiros sem qualquer participação direta ou indireta do PGR”, afirmou. Segundo a manifestação do PGR citada por Sanseverino, Ciro Soares ligou para Vorcaro e passou o telefone para Gonet para uma saudação. O procurador-geral afirmou que a conversa foi breve e não tratou de assunto relevante ou relacionado às suas atribuições profissionais.
Suspeição deve ser arguida no STF
No primeiro ponto, o relator afirmou que eventual suspeição de Gonet deve ser arguida nos próprios processos em tramitação no STF e decidida pelo Supremo. A decisão do Conselho Superior do MPF não vincula o Supremo Tribunal Federal, mas representa um posicionamento institucional relevante sobre a conduta do procurador-geral. Ainda não há data para a conclusão do julgamento no colegiado, pois os demais conselheiros podem apresentar votos complementares ou pedir vista.
Fonte
- www.direitonews.com.br
- Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (fenaj.org.br)
- Assine aqui. (pay.hub.la)
Últimas publicações
Notícias27 de setembro de 2026MPF reconhece falha em denúncia sobre prisão de Marco Heredia
Notícias27 de setembro de 2026Bets usam brecha para judicializar proibição de apostas
Notícias27 de setembro de 2026Doutrina apressada atrapalha reforma tributária, diz professor
Notícias27 de setembro de 2026STF identifica tentativa de fraude em processo; Zanin relata





























