Home / Notícias / Advogada e filho mortos em São Paulo: ex é suspeito

Advogada e filho mortos em São Paulo: ex é suspeito

Advogada e filho mortos em São Paulo: ex é suspeito

Uma advogada e seu filho de 6 anos foram encontrados mortos em um apartamento em Cotia, na Grande São Paulo. O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, identificado como Eric. A Polícia Civil pediu a prisão temporária do investigado, que permanece foragido. O caso foi registrado como feminicídio e vicaricídio na Delegacia de Polícia de Cotia.

Desaparecimento e localização dos corpos

Segundo informações do boletim de ocorrência, a mãe da advogada registrou um boletim de ocorrência por desaparecimento da filha e do neto no último domingo (1), após não conseguir contato com eles. Na terça, uma advogada foi até a Delegacia de Cotia afirmando representar Eric e informou que os corpos estariam dentro do apartamento. Ela forneceu o endereço do local e os policiais foram até lá, confirmando as mortes.

A atuação dessa advogada, que se apresentou como representante do suspeito, foi decisiva para a localização das vítimas. Não há detalhes sobre o conteúdo da conversa entre ela e Eric, nem sobre as circunstâncias em que ele teria revelado a localização dos corpos. A fonte não detalhou se a advogada acompanhou os policiais até o imóvel ou se apenas repassou as informações. O registro da ocorrência também não esclarece se ela permaneceu na delegacia para prestar depoimento formal.

A confirmação das mortes encerrou um período de angústia para a família, que buscava notícias desde o domingo. A mãe da vítima, ao registrar o desaparecimento, relatou que não conseguia contato com a filha e o neto, o que era incomum. A polícia agora trabalha para reconstituir a linha do tempo e identificar todos os envolvidos no caso.

Imagens de segurança e linha do tempo

Vídeos de câmeras de segurança do condomínio apreendidas pela polícia registraram a entrada conjunta de Anna, seu filho e Eric no condomínio no domingo, por volta das 21h35. Os registros apontam que o investigado deixou o local sozinho, na segunda-feira (2), por volta das 02h da manhã. Segundo a polícia, não há indícios de que qualquer outra pessoa tenha entrado ou saído do apartamento além de Eric e das vítimas.

Esses elementos são centrais para a investigação, pois indicam que Eric foi a última pessoa a ter contato com as vítimas e que saiu do imóvel sem a companhia delas. A ausência de movimentação de terceiros reforça a hipótese de que o crime ocorreu no interior do apartamento e que o suspeito agiu sozinho. A polícia não divulgou a causa das mortes, que depende de laudos periciais.

O intervalo entre a entrada no domingo à noite e a saída na madrugada de segunda-feira é de aproximadamente quatro horas e meia. Nesse período, segundo as imagens, não houve registro de entrada ou saída de outras pessoas. A perícia foi acionada para coletar vestígios no apartamento e determinar a dinâmica dos fatos. A fonte não detalhou se havia sinais de arrombamento ou luta no local.

Relatos de violência e relacionamento conturbado

Durante as diligências, a polícia colheu depoimentos da mãe de Anna, do pai de Eric, da síndica do condomínio e de uma amiga íntima da vítima. Os relatos apontam um relacionamento conturbado e marcado por sucessivos términos e reconciliações. Conforme registro da ocorrência, as testemunhas relataram episódios de violência doméstica, ameaças, perseguições, controle excessivo e comportamentos intimidatórios por parte de Eric, inclusive com menção à exibição ostensiva de arma de fogo como forma de intimidação.

Esses depoimentos são fundamentais para a tipificação do crime como feminicídio, pois evidenciam um contexto de violência baseada no gênero. A menção à exibição de arma de fogo sugere um padrão de intimidação que pode ter escalado para o desfecho fatal. A polícia não informou se havia medidas protetivas de urgência em favor de Anna ou se ela havia registrado boletins de ocorrência anteriores contra Eric.

A amiga íntima da vítima pode fornecer detalhes sobre o estado emocional de Anna nos dias anteriores ao crime e sobre ameaças recentes. O pai de Eric, por sua vez, pode ter informações sobre o paradeiro do filho ou sobre seu comportamento após o ocorrido. A síndica do condomínio pode relatar se houve discussões ou barulhos no apartamento na noite do crime. A fonte não detalhou o teor exato de cada depoimento.

Prisão temporária e tipificação

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirmou que pediu a prisão temporária de Eric, que ainda não foi localizado. A perícia foi acionada e o caso foi registrado como feminicídio e vicaricídio na Delegacia de Polícia de Cotia. O vicaricídio é uma qualificadora recente no ordenamento jurídico brasileiro, aplicada quando o homicídio é cometido contra descendente da vítima de feminicídio, com o intuito de causar sofrimento à mulher.

O pedido de prisão temporária indica que a autoridade policial considerou necessária a medida para garantir a investigação e evitar a fuga do suspeito. A prisão temporária tem prazo de 30 dias, prorrogável por igual período em caso de necessidade. Se decretada pela Justiça, Eric passará a ser procurado pelas forças de segurança. Até o momento, ele não foi localizado.

A tipificação como feminicídio e vicaricídio demonstra o reconhecimento de que o crime se insere em um contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. O vicaricídio, incluído pela Lei nº 14.994/2024, prevê pena de reclusão de 20 a 40 anos. A aplicação dessa qualificadora depende da comprovação de que o homicídio do filho foi motivado por vingança ou para causar sofrimento à mãe. A fonte não detalhou se a denúncia já foi oferecida pelo Ministério Público.

Repercussão e posicionamentos

A CNN Brasil tenta contato com a defesa do suspeito. A reportagem também pediu uma nota à OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil Subseção São Paulo). O espaço segue aberto. A OAB-SP pode se manifestar sobre o caso, especialmente por envolver uma advogada como vítima. A entidade costuma emitir notas de repúdio em situações de violência contra profissionais da advocacia.

O caso gerou comoção entre colegas de profissão e a comunidade jurídica. A morte de uma advogada em contexto de violência doméstica reacende o debate sobre a proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade, mesmo aquelas com conhecimento jurídico. A ausência de medidas protetivas ou de registro de ocorrências anteriores, se confirmada, pode indicar barreiras no acesso à justiça.

A defesa do suspeito ainda não se pronunciou. O direito à ampla defesa e ao contraditório é garantido constitucionalmente, e Eric é considerado inocente até que haja condenação transitada em julgado. No entanto, os indícios colhidos até o momento apontam para sua participação direta nos crimes. A investigação segue em andamento na Delegacia de Polícia de Cotia.

Vítor Nhoatto, da CNN Brasil, e Bruno Teixeira, da CNN Brasil, em São Paulo. Fonte: @cnnbrasil

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
Avatar

Inscreva-se para receber o boletim informativo periodicamente

Fique por dentro das novidades com nossa newsletter semanal. Assine agora para não perder nenhuma atualização!

Um comentário

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *



Redes Sociais


Assine nossa newsletter para receber via e-mail atualizações sobre nossas publicações


Atualize-se