Home / Notícias / Manequins negros em vitrine geram caso no Ministério Público

Manequins negros em vitrine geram caso no Ministério Público

Manequins negros em vitrine geram caso no Ministério Público

Uma vitrine da loja Arthur Caliman, localizada em área comercial de grande circulação, tornou-se alvo de denúncia encaminhada ao Ministério Público. A exposição mostrava manequins negros em posição que sugere servidão a manequins brancos. A composição, registrada pela reportagem, exibia manequins pretos vestindo roupas claras ao lado de um manequim branco com vestido azul-escuro, em arranjo interpretado por especialistas como reforço de hierarquia racial. A empresa nega qualquer intenção discriminatória e afirma que a escolha visava apenas valorizar o contraste entre as cores dos bonecos e das peças.

Posicionamento da loja Arthur Caliman

Procurada pela reportagem, a Arthur Caliman afirmou que repudia qualquer forma de racismo e discriminação. A loja disse que a escolha dos manequins varia e que, na vitrine registrada pela reportagem, a combinação buscava valorizar o contraste entre a cor dos bonecos e a das roupas. Segundo a empresa, foi o que ocorreu na vitrine registrada pela reportagem, que combinou manequins pretos com trajes brancos e um manequim branco com vestido azul-escuro.

A empresa afirmou ainda que “jamais houve a intenção de transmitir qualquer mensagem de cunho racial”. “Jamais houve a intenção de transmitir qualquer mensagem de cunho racial. Lamentamos o desconforto causado e, assim que recebemos o contato da reportagem, substituímos o manequim da vitrine”, declarou. A loja também informou que a vitrine anterior era composta inteiramente por manequins pretos com vestidos claros.

Análise jurídica: advogado vê crime racial na composição

O advogado Hédio Silva Jr., fundador do Jusracial, que atua há mais de 28 anos na defesa da igualdade racial e dos direitos das religiões afro-brasileiras, criticou a composição da vitrine. Para o advogado, a disposição dos manequins transmite uma mensagem que associa pessoas negras a posições de inferioridade social.

“Com base nessa suposta inferioridade genética, são distribuídos lugares sociais. Uma mensagem que induz, incita, encoraja, faz apologia, rigorosamente induz as pessoas a praticarem a discriminação racial. Sem dúvida nenhuma, um crime racial na sua forma mais nua e crua”, disse.

Militante do Movimento Negro há 40 anos, é autor de livros, teses e artigos sobre racismo, liberdade de crença, ações afirmativas e patrimônio cultural afro-brasileiro. Também atuou em casos no Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles a defesa da constitucionalidade do abate religioso de animais.

Próximos passos: caso segue para análise do Ministério Público

A denúncia foi protocolada junto ao Ministério Público, que deverá avaliar se a conduta configura prática de racismo, crime previsto na legislação brasileira. A fonte não detalhou o número do procedimento nem a data exata do protocolo. O Ministério Público poderá instaurar inquérito civil ou encaminhar o caso à esfera criminal, dependendo da tipificação.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a análise considerará o contexto da exposição, a intenção da empresa e o impacto social da mensagem. A Arthur Caliman, por sua vez, reiterou que substituiu o manequim imediatamente após o contato da reportagem e que lamenta o desconforto causado.

O caso reacende o debate sobre racismo estrutural e a responsabilidade de empresas na comunicação visual de suas vitrines. Advogados e ativistas aguardam o posicionamento do Ministério Público para definir os próximos passos jurídicos.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
Avatar

Inscreva-se para receber o boletim informativo periodicamente

Fique por dentro das novidades com nossa newsletter semanal. Assine agora para não perder nenhuma atualização!

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *



Redes Sociais


Assine nossa newsletter para receber via e-mail atualizações sobre nossas publicações


Atualize-se