Uma advogada foi presa em flagrante nesta sexta-feira (2) por ocultação de documento público, após policiais encontrarem em seu apartamento a carteira de identidade e a certidão de óbito originais de uma idosa de 90 anos, que morreu em julho de 2019. A suspeita, identificada como Jéssica, era curadora da vítima e é investigada por desviar dinheiro da pensionista. A prisão ocorreu durante cumprimento de mandado de busca e apreensão na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Documentos retidos por sete anos
De acordo com a Polícia Civil, o filho da vítima cobrava os documentos havia cerca de sete anos. Segundo o relato apresentado aos investigadores, a advogada dizia que os papéis estavam guardados em caixas. A corporação afirma que, mesmo depois de diversas cobranças, os documentos originais não foram devolvidos. Ainda segundo a polícia, a advogada chegou a enviar fotografias dos papéis, o que indicaria que sabia onde eles estavam. A retenção dos documentos dificultou a abertura do inventário e a regularização da sucessão, conforme relatou o filho da vítima.
Celular escondido no ralo
Durante a operação, os policiais também procuraram o celular da advogada. Segundo a investigação, o aparelho havia sido autorizado pela Justiça para apreensão e posterior extração de dados. A Polícia Civil informou que o telefone não foi localizado inicialmente. Depois de mais de uma hora de buscas, os agentes encontraram o aparelho escondido dentro do ralo do banheiro. A corporação afirma que a advogada teria colocado o celular no local para impedir que fosse apreendido.
Objetos reconhecidos pelo filho
Além do telefone, foram recolhidos equipamentos eletrônicos, joias e talheres banhados a ouro. Na delegacia, segundo a polícia, o filho da idosa reconheceu os talheres e um relógio como pertencentes à mãe. Os objetos já haviam sido descritos por ele em depoimento anterior. A fonte não detalhou o valor dos bens apreendidos.
Curadoria e suspeita de desvio
Segundo a investigação, Jéssica era vizinha da idosa, que morava sozinha no Cocotá, também na Ilha do Governador. A mulher recebia pensão militar e benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em 2014, Jéssica foi nomeada curadora da idosa pela Justiça e passou a administrar os interesses e o patrimônio dela. De acordo com a Polícia Civil, os recursos deveriam ser utilizados em benefício da pensionista. A investigação, no entanto, identificou transferências de dinheiro da conta da idosa para uma conta pessoal da advogada.
Movimentações após a morte
Os investigadores também encontraram movimentações financeiras que teriam ocorrido depois da morte da mulher. Segundo a corporação, seis dias após o óbito houve uma transferência de dinheiro da conta da idosa para a advogada, seguida de um saque. A investigação também identificou compras feitas com o cartão da vítima no ano seguinte à morte. A fonte não detalhou os valores envolvidos.
Resposta por 16 crimes
A Polícia Civil informou que Jéssica já responde na Justiça por 16 crimes relacionados ao patrimônio da antiga curatelada. São 12 acusações de apropriação de rendimentos de pessoa idosa, dois furtos qualificados mediante fraude e duas falsidades ideológicas. Segundo a investigação, as acusações também estão relacionadas à suposta omissão de rendimentos nas prestações de contas apresentadas durante a administração do patrimônio da idosa. A polícia ressalta que as acusações ainda são objeto de processos judiciais.
Segunda via da certidão
O filho também informou que precisou obter uma segunda via da certidão de óbito para acionar o seguro de vida da mãe. Segundo ele, o documento só foi obtido em 2023. Os documentos originais foram localizados nesta sexta-feira (2) pelos policiais no apartamento da advogada. A fonte não detalhou se a defesa da suspeita foi contatada.
Fonte
- www.direitonews.com.br
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