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Caso Deolane Bezerra: advogado menciona delegado morto pelo PCC

Caso Deolane Bezerra: advogado menciona delegado morto pelo PCC

O juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, relatou à Polícia Civil de São Paulo ter sido alvo de tentativa de intimidação durante audiência de uma ação penal contra pessoas acusadas de integrar setores do Primeiro Comando da Capital (PCC). O episódio ocorreu em 16 de outubro de 2025 e envolveu o advogado Cebola, que defendia a ré Ketheleen Camila Sousa Lemos.

Segundo o magistrado, a referência ao delegado Ruy Ferraz — assassinado pela facção — e as declarações posteriores configuraram pressão para que ele revogasse prisões preventivas.

Contexto da audiência e menção a Ruy Ferraz

Durante a audiência, Cebola questionava um delegado quando fez referência a uma declaração atribuída a Ruy Ferraz sobre uma suposta “ética” existente no mundo do crime. O ex-delegado foi morto pelo PCC, e seu assassinato não fazia parte do processo discutido naquele momento. Deyvison afirmou aos investigadores que recebeu a menção com “evidente surpresa”, pois o caso de Ruy Ferraz não tinha relação com os autos.

Para o juiz, houve uma “alusão deliberada à trajetória e ao destino de um delegado morto pela facção criminosa investigada [no processo analisado na ocasião]”. A fala teria soado como um recado velado, associando a atuação do magistrado ao risco enfrentado por Ruy Ferraz. A fonte não detalhou se Cebola explicou o contexto da citação naquele momento.

O relato do juiz destaca que a menção não foi acidental, mas inserida em um momento de tensão processual. A audiência tratava de réus ligados ao PCC, e a lembrança de um delegado morto pela organização criminosa teria criado um clima de ameaça implícita. A transição para o debate sobre prisões, na sequência, intensificou a percepção de intimidação.

Debate sobre prisões e a fala sobre o “Elísio”

No encerramento da audiência, a discussão passou às prisões preventivas. Cebola sustentou que os réus deveriam responder em liberdade. Após ouvir do juiz que analisaria as medidas conforme a lei, o advogado afirmou temer que Deyvison não “adentrasse ao Elísio”. Questionado pelo magistrado se aquilo seria uma ameaça, Cebola explicou que Elísio significava paraíso e disse que todos morreriam um dia.

A resposta do advogado não dissipou a preocupação do juiz. Deyvison interpretou a sequência como tentativa de coação para influenciar suas decisões sobre as prisões. A menção ao “Elísio” — termo que remete ao paraíso na mitologia grega — foi vista como uma insinuação sobre a mortalidade do magistrado, em um contexto de réus ligados ao PCC.

O relato do juiz à polícia incluiu a descrição do tom e do momento das falas. A fonte não detalhou se houve outras testemunhas da audiência além dos participantes processuais. A Polícia Civil passou a investigar formalmente Cebola e tomou depoimento do magistrado, conforme requisição do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Investigação e posição do advogado

O Gaeco requisitou a abertura de inquérito para apurar, em tese, coação no curso do processo. A Polícia Civil instaurou a investigação e ouviu o juiz Deyvison Heberth dos Reis. O advogado Cebola nega ter ameaçado o magistrado. À polícia, sustentou que suas declarações tinham caráter espiritual e que sua atuação durante a audiência fazia parte do exercício da advocacia.

Cebola argumenta que a referência ao “Elísio” não configura ameaça, mas uma expressão de crença pessoal sobre a finitude humana. O advogado também defende que a menção a Ruy Ferraz estava dentro do contexto de questionamento ao delegado, sem intenção de intimidar o juiz. A investigação deverá avaliar se as falas ultrapassaram os limites da defesa técnica.

O caso levanta debate sobre os limites da advocacia criminal e a proteção de magistrados em processos envolvendo organizações criminosas. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não se manifestou publicamente sobre o episódio até o momento. A fonte não detalhou se Cebola apresentou provas documentais de suas alegações.

Conexão com o Caso Deolane Bezerra

Meses antes de o caso vir à tona, Cebola havia publicado 17 vídeos nas redes sociais, em uma série chamada “InPrudente”, na qual contestou provas e procedimentos de investigações relacionadas à prisão de Deolane Bezerra. A influenciadora e advogada foi presa em setembro de 2024, e seu caso tramita na Justiça de São Paulo. A série de vídeos questionava a legalidade das provas e a condução das investigações.

A atuação de Cebola no Caso Deolane Bezerra ganhou notoriedade, e a série “InPrudente” ampliou sua visibilidade. A defesa de Ketheleen Camila Sousa Lemos, ré em ação penal sobre o PCC, ocorreu no mesmo contexto de críticas ao sistema de justiça. A fonte não detalhou se os vídeos influenciaram a percepção do juiz sobre a conduta do advogado.

Ketheleen havia dado procuração a Cebola em março de 2025. Um ano depois, a própria presa assinou uma declaração revogando os poderes concedidos ao advogado e constituiu uma nova defensora. A mudança de defesa não foi explicada publicamente, mas ocorreu após a abertura do inquérito sobre a suposta coação.

Repercussão jurídica e próximos passos

O inquérito policial sobre coação no curso do processo está em andamento. A Polícia Civil deverá ouvir testemunhas, analisar a gravação da audiência e avaliar se as falas de Cebola configuram crime. O artigo 344 do Código Penal prevê pena de reclusão de 1 a 4 anos para quem usa de violência ou grave ameaça para favorecer interesse próprio ou alheio em processo judicial.

O caso também pode gerar repercussão disciplinar na OAB, caso fique comprovado excesso na atuação profissional. O Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994) garante a inviolabilidade do advogado por atos no exercício da profissão, mas não protege condutas que configurem crime. A análise dependerá das provas colhidas no inquérito.

Para advogados criminalistas, o episódio serve de alerta sobre os limites da argumentação em audiências. A defesa técnica pode questionar provas e procedimentos, mas não pode usar linguagem que possa ser interpretada como ameaça. O equilíbrio entre a liberdade de defesa e a proteção de magistrados é um desafio em processos envolvendo facções criminosas.

O juiz Deyvison Heberth dos Reis segue na condução da ação penal contra os réus do PCC. A fonte não detalhou se ele solicitou medidas protetivas ou afastamento do caso. O desfecho do inquérito poderá definir se houve crime ou se as falas estavam dentro da imunidade profissional do advogado.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
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