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Juíza dos EUA pune advogados por mau uso de IA

Juíza dos EUA pune advogados por mau uso de IA

Magistrados de várias partes do mundo, inclusive do Brasil, estão perdendo a paciência com advogados que fazem mau uso da IA em petições e outros documentos. Uma decisão recente nos Estados Unidos ilustra a tendência: uma juíza federal do Mississippi puniu duas partes na mesma ação por utilizarem inteligência artificial para fabricar citações jurídicas. As sanções ao mau uso de IA nos EUA incluem multa e suspensão dos advogados.

Sanções aplicadas pela magistrada

No caso de Mississippi, a juíza aplicou aos envolvidos multas modestas, entre 1 mil e 3,5 mil dólares. Em alguns casos, a sanção pelo mau uso de IA chega a quase 100 mil dólares. A magistrada removeu os quatro advogados da ação, proibiu duas delas de atuarem, por dois anos, no Tribunal do Distrito Norte de Mississippi, suspendeu o julgamento e deu um prazo de 60 dias para as partes contratarem novos representantes.

Fundamento da decisão

Segundo a magistrada, não verificar a autenticidade das citações geradas pela IA é uma violação das regras federais de conduta civil (Federal Rules of Civil Procedure). A implicação dessa regra, segundo a juíza, é a de que todo advogado tem o dever de realizar uma investigação razoável dos fatos e da legislação que se aplicam ao caso, antes de apor sua assinatura em qualquer documento destinado ao tribunal. “Esta corte já reconheceu o que tribunais federais em todo o país têm decidido: citar precedentes ou fundamentos jurídicos fictícios ou fabricados em petições, sem verificar sua veracidade, constitui conduta equivalente à má-fé”, complementou.

O cenário no Brasil

O Judiciário brasileiro também enfrenta as intempéries do mau uso da inteligência artificial generativa, no que se refere a citações de jurisprudência inexistente — ou que não se aplicam ao caso em julgamento — em petições protocoladas por alguns advogados supostamente irresponsáveis ou negligentes. A prática de inserir comandos ocultos em petições e outros documentos protocolados nas cortes não têm a ver com negligência ou preguiça de alguns advogados. São casos de fraudes (ou golpes), sem nenhum pudor.

Casos de fraudes detectados

Tribunais já detectaram a falcatrua em São Paulo, Pará, Minas Gerais e Paraíba. No TJ-SP, um advogado incluiu comandos ocultos pedindo que a IA deferisse justiça gratuita e tutela de urgência. O juiz Diego Marcussi identificou a fraude e exigiu explicações. No Brasil, o Conselho Nacional de Justiça determinou que o uso da inteligência artificial no Judiciário deve sempre passar por revisão humana obrigatória, proibindo decisões exclusivamente automatizadas.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
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