A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, em discussão única, o Projeto de Lei Complementar 61/2026, de autoria do Poder Executivo, que regulamenta a transação tributária e estabelece novas regras para a renegociação de dívidas com o Estado. A votação ocorreu em 20 de outubro, e o texto segue agora para sanção ou veto do governador, que terá 15 dias úteis para se manifestar.
A medida busca facilitar a recuperação de créditos inscritos em dívida ativa, ampliar a arrecadação estadual e reduzir o volume de processos judiciais relacionados à cobrança de débitos.
Descontos e prazos ampliados para devedores
Na prática, a proposta prevê a concessão de descontos de até 70% sobre multas, juros e demais encargos, além do parcelamento dos débitos em até 145 meses (aproximadamente sete anos), a depender do perfil do devedor. A regra geral do projeto prevê descontos de até 65% sobre multas, juros e demais acréscimos legais, com possibilidade de pagamento em até 120 meses.
Contudo, para pessoas físicas, microempresas, empresas de pequeno porte e empresas em recuperação judicial, liquidação ou falência, os benefícios poderão chegar a 70% de desconto e parcelamento em até 145 meses. Em nenhuma hipótese, os descontos poderão reduzir o valor principal do tributo devido. Essa gradação busca atender às diferentes capacidades contributivas e situações econômicas dos devedores.
Compensação com precatórios e créditos de ICMS
O texto também autoriza o uso de precatórios e de créditos acumulados de ICMS para compensação de débitos, respeitados os limites estabelecidos na proposta. Para dívidas de ICMS, a compensação poderá alcançar até 75% do valor devido. No caso do IPVA, o limite será de 50%. Essa possibilidade representa um avanço significativo, pois permite que contribuintes com créditos reconhecidos judicialmente ou acumulados em suas escriturações fiscais possam quitá-los de forma mais eficiente. A medida tende a reduzir o passivo de precatórios do estado e a fomentar a regularização fiscal.
Condução pela Procuradoria Geral do Estado
As negociações para a quitação das dívidas deverão ser conduzidas pela Procuradoria Geral do Estado (PGE-RJ) e poderão ocorrer por adesão a editais públicos ou mediante propostas individuais, conforme os critérios estabelecidos na legislação. Isso confere flexibilidade ao modelo, permitindo tanto acordos em massa quanto negociações caso a caso. A PGE-RJ terá papel central na operacionalização da transação, definindo os procedimentos e analisando a viabilidade de cada acordo. A expectativa é que a autarquia publique editais com condições padronizadas para diferentes categorias de débitos.
Impacto prático e próximos passos
O projeto foi aprovado em 20 de outubro e seguirá para o governo do Estado, que, a partir dessa data, irá dispor de 15 dias úteis para sancionar ou vetar a proposta. Caso sancionada, a lei complementar entrará em vigor na data de sua publicação, e a PGE-RJ deverá regulamentar os procedimentos para adesão. Advogados tributaristas e contribuintes devem ficar atentos aos prazos e condições, pois a transação tributária pode representar uma oportunidade significativa de redução de passivos.
O presidente da Alerj, deputado Douglas Ruas (PL), também celebrou a aprovação na Casa, destacando a importância da medida para o ambiente de negócios fluminense.
A proposta se alinha a uma tendência nacional de modernização da cobrança da dívida ativa, inspirada em modelos já adotados pela União e por outros estados. A transação tributária é vista como instrumento eficaz para reduzir litígios e aumentar a arrecadação sem recorrer a medidas mais gravosas, como a execução fiscal. Para os contribuintes, a possibilidade de descontos expressivos e prazos alongados pode viabilizar a regularização de débitos que, de outra forma, permaneceriam inadimplentes.
Recomenda-se que os interessados acompanhem a sanção e a regulamentação para avaliar a adesão dentro dos prazos legais.
Fonte
Últimas publicações
Notícias2 de novembro de 2026Alerj aprova transação tributária no RJ com descontos de até 70%
Notícias2 de novembro de 2026Usucapião tabular: visão de Ebert Chamoun
Notícias2 de novembro de 2026AGU recorre contra inclusão de direitos humanos na formação da PRF
Notícias2 de novembro de 2026CNJ define diretrizes contra violência processual de gênero


























