O banqueiro Luiz Carlos Vorcaro organizou um almoço de luxo para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com um menu que incluía uma das carnes mais caras do mundo, o wagyu, além de trufas brancas, caviar beluga e vinhos raros de sua adega pessoal. As informações constam em mensagens obtidas pelo jornal O Globo e divulgadas nesta semana. Vorcaro não participou do encontro, mas acompanhou a organização por mensagens, escolheu os vinhos, orientou a apresentação dos pratos e pediu discrição sobre seu envolvimento.
Menu sofisticado com iguarias importadas
O menu preparado para o ministro incluía vieiras com ovas de salmão, ovo trufado, foie gras com banana, carne dry aged, wagyu e trufas, entre outras iguarias. O chef recebeu o aviso de que deveria preparar uma refeição especial para Moraes três dias antes do encontro. Nas conversas, afirmou que precisaria correr para conseguir trufas brancas, que podem custar até R$ 24 mil o quilo.
“Posso deitar o cabelo… kkkk trufa, caviar, vieiras, foie, wagyu”, escreveu. Em seguida, acrescentou: “Se tiver alguma recomendação especial me avisa aqui! Casa Vorcaro está sempre pronta!!!”. A apresentação do caviar beluga também chamou a atenção do banqueiro. Ao receber uma foto das latas sobre a mesa, Vorcaro questionou se a disposição não deixava o ambiente ostensivo demais. No Brasil, cada unidade pode custar de R$ 830 a R$ 4,5 mil.
O chef respondeu que levaria as latas apenas no momento de servir e explicou que a imagem havia sido enviada para mostrar como seria a experiência. Depois, encaminhou outras fotos com a disposição dos pratos. A seleção de ingredientes raros e caros evidencia o padrão elevado do evento.
Vinhos raros da adega pessoal
Para acompanhar o almoço, Vorcaro mandou buscar vinhos em sua própria adega. A orientação era priorizar garrafas de “safras antigas e boas”. “Precisa pegar 4 vinhos top na minha adega. 5 na verdade”, escreveu ao chef. Entre os rótulos escolhidos estavam La Tâche, Haut-Brion, Château Mouton Rothschild e Château Cheval Blanc, cujas garrafas podem alcançar preços de dezenas de milhares de reais, conforme a reportagem.
Quando um funcionário informou que os vinhos mais antigos disponíveis eram das safras de 1997 e 2001, o banqueiro perguntou: “Não tem mais antigo?”. Depois, pediu a seleção de um “branco 1983”. Vorcaro também autorizou a entrega de uma caixa com vinhos de presente aos convidados. “Pode fazer. A caixa. E dar de presente sim”, orientou.
Pedido de discrição e repreensão a chef
Durante a recepção, outro funcionário manteve Vorcaro informado sobre a movimentação dos convidados. Ao saber que o chef havia tirado uma foto e trocado contatos com Moraes, o banqueiro pediu que ele fosse repreendido. “Isso não podia né. Fale com ele pra mim que eu não vou gostar disso”, escreveu.
O funcionário explicou depois que o cozinheiro havia dito que “não podia falar ‘não’ para o ministro”. Diante da informação, Vorcaro respondeu: “Mas se o ministro que pediu tudo bem. Menos mal”. A troca de mensagens revela a preocupação do banqueiro em manter o encontro discreto e evitar exposição pública.
Encontro de quatro horas e meia
Segundo as mensagens divulgadas pelo jornal, o encontro durou cerca de quatro horas e meia. Ao final, o chef avisou que os convidados estavam “no charuto” e comunicou: “Missão dada, missão cumprida”. Ao encaminhar a foto com Moraes, ainda comentou: “Esse cara está precisando de um abraço. E claro um pouco de caviar com claras e gemas”.
Procurados pelo jornal, Moraes, a defesa de Vorcaro e o chef não se manifestaram. A ausência de respostas deixa em aberto questionamentos sobre a natureza do encontro e eventuais implicações éticas ou jurídicas.
Contrato milionário após o almoço
No mês seguinte ao almoço, em janeiro de 2024, Vorcaro firmou um contrato com o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher de Moraes, segundo O Globo. O acordo previa o pagamento de R$ 131 milhões ao longo de três anos por serviços de “consultoria estratégica”. A reportagem afirma que o contrato foi editado pelo gabinete do ministro.
A coincidência temporal entre o almoço e a assinatura do contrato levanta questionamentos sobre possível conflito de interesses, embora não haja, até o momento, qualquer acusação formal ou investigação confirmada. Especialistas em direito administrativo e ética pública podem avaliar se os fatos descritos configuram violação de deveres funcionais ou princípios da administração pública.
Fonte
- www.direitonews.com.br
- Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (fenaj.org.br)
- Assine aqui. (pay.hub.la)
Últimas publicações
Notícias1 de outubro de 2026ICMS-ST, IBS e CBS: valor retido não limita exclusão
Notícias1 de outubro de 2026Associar islã ao terrorismo é islamofobia e crime
Notícias1 de outubro de 2026Juiz nega influência de injeção de prompt em decisão
Notícias1 de outubro de 2026Juiz condena cliente por litigância predatória em ação de R$ 0,03






























Um comentário