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Propina de policiais civis: advogado enviou foto, diz MP

Propina de policiais civis: advogado enviou foto, diz MP

Na manhã desta quinta-feira, a Corregedoria da Polícia Civil e o Ministério Público deflagraram a Operação Merx, que resultou na prisão de quatro policiais civis e de um advogado identificado como Sidiclei. Segundo as investigações, o grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa que cobrava propina para liberar cargas de eletrônicos irregulares que deveriam ser apreendidas no estado. O UOL tenta contato com a defesa de Sidiclei, e o espaço será atualizado caso haja posicionamento.

De acordo com o Ministério Público, as cargas em questão teriam sido trazidas do exterior sem o pagamento de impostos ou eram transportadas sem notas fiscais. Após as abordagens, os suspeitos exigiam até 70% do valor da carga para não apreenderem o material. Em pelo menos quatro ocasiões desde 2024, os valores cobrados chegaram a R$ 2,3 milhões, evidenciando a magnitude do esquema.

Esquema envolvia subfaturamento de apreensões

Além da cobrança direta de propina, o grupo também reportava apreensões de cargas menores do que o volume efetivamente transportado pelos caminhões. Em um dos casos citados pelo MP, um policial formalizou o recolhimento de apenas 250 aparelhos celulares de uma carga que continha 4.000 unidades. Essa prática permitia que a maior parte da mercadoria ilegal fosse liberada mediante pagamento, enquanto os registros oficiais indicavam uma apreensão simbólica.

A discrepância entre o volume real e o reportado é um dos elementos centrais da acusação, pois demonstra a intenção de ocultar a extensão do contrabando e de lucrar com a liberação irregular. A fonte não detalhou como as cargas eram abordadas, mas o padrão descrito sugere um modus operandi recorrente, com participação coordenada entre os agentes públicos e o advogado.

Advogado teria enviado foto de propina

O Ministério Público afirma que Sidiclei, o advogado preso, teria enviado uma fotografia de propina a policiais civis. O conteúdo exato da imagem não foi divulgado, mas a menção a esse elemento indica que a negociação dos valores ilícitos era feita de forma explícita, possivelmente como comprovação do pagamento ou como etapa da negociação. A conduta, se confirmada, pode configurar corrupção ativa, além de violar o Estatuto da Advocacia e o Código de Ética da OAB.

A prisão de um advogado em operações dessa natureza levanta questões sobre o papel de profissionais do Direito em esquemas criminosos. A Ordem dos Advogados do Brasil ainda não se manifestou sobre o caso, e a defesa de Sidiclei não foi localizada até o momento. O UOL segue tentando contato e atualizará a reportagem assim que houver retorno.

Investigação segue em andamento

A Operação Merx foi deflagrada pela Corregedoria da Polícia Civil em conjunto com o Ministério Público, o que indica um esforço conjunto de controle interno e persecução penal. Os mandados de prisão foram cumpridos na manhã de hoje, mas a fonte não detalhou as cidades onde ocorreram as detenções nem se houve apreensão de bens ou documentos. A investigação deve prosseguir para identificar outros envolvidos e dimensionar o total de cargas liberadas ilegalmente.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que crimes de corrupção envolvendo agentes de segurança pública têm penas severas, que podem ultrapassar 12 anos de reclusão, além de perda do cargo público e inelegibilidade. Para o advogado, a condenação pode acarretar a exclusão dos quadros da OAB, impossibilitando o exercício profissional. No entanto, todos os suspeitos são considerados inocentes até o trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

O caso segue sob sigilo em parte, e novas informações devem ser divulgadas pelas autoridades nas próximas horas. A reportagem continuará acompanhando o desenrolar da operação e eventuais manifestações das defesas.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
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