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Esposa de juiz que soltou chefe do PCC pagou mansão com dinheiro vivo

Esposa de juiz que soltou chefe do PCC pagou mansão com dinheiro vivo

A Polícia Federal (PF) revelou, em relatório obtido com exclusividade, que Viviane, esposa do desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), pagou a reforma de uma mansão com dinheiro vivo, em encontros presenciais e evitando o uso de cartão. O magistrado foi punido com aposentadoria compulsória pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no dia 10 de fevereiro deste ano, por ter concedido prisão domiciliar, em 2020, a Gerson Palermo, condenado a 126 anos por tráfico de drogas e apontado como chefe do PCC.

Pagamentos em espécie e encontros presenciais

Trocas de mensagens obtidas pela PF indicam que Viviane combinava encontros presenciais para efetuar pagamentos em dinheiro e evitava usar cartão. Em conversa com o arquiteto responsável pelo projeto, ela afirma: “Pra mim, fica melhor eu te dar dinheiro todo mês. Esse mês aconteceu de eu te dar picado, porque eu peguei uma parte do dinheiro, depois outra. Saiu tudo picado”. Em outro momento, Viviane diz ao profissional que estava com o valor na bolsa e que queria se encontrar com ele para quitar parte da dívida.

Para os investigadores, há indícios de que pagamentos foram feitos diretamente em dinheiro, inclusive dentro de veículos, para evitar registros formais. A PF constatou que a origem do dinheiro não foi identificada.

Vídeo: YouTube | Fonte: www.direitonews.com.br

Móveis planejados de R$ 650 mil

O casal contratou móveis planejados para o imóvel, em um serviço orçado em R$ 650 mil. Em mensagens, Viviane pede para marcar um encontro com o fornecedor: “Precisamos marcar para eu acertar com você. Você vem até mim? Estou aqui no TRE. Me avise quando chegar na frente”.

Em outro diálogo, ao negociar a compra de ferragens no valor de R$ 40 mil, Viviane pede: “Veja pra mim quanto dá pra fazer no dinheiro”. O vendedor estranha a proposta e questiona se o pagamento seria em espécie. Após a confirmação, o vendedor responde: “É doido!” e orienta que o valor deveria ser pago por meios como cartão, PIX ou boleto, já que a empresa não aceita dinheiro vivo.

Reforma começou após soltura de Palermo

Segundo relatório da PF, a reforma começou em 2021, um ano após Divoncir conceder prisão domiciliar a Gerson Palermo. A decisão foi tomada durante a pandemia de Covid-19, sob a justificativa de problemas de saúde do preso. No entanto, segundo o CNJ, não havia laudo médico que comprovasse a condição alegada. O caso foi analisado em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

Palermo estava no presídio de segurança máxima de Mato Grosso do Sul. Após conseguir prisão domiciliar por decisão liminar, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. Ele segue na lista de procurados do Sistema Único de Segurança Pública.

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Assessoria de Comunicação MAI
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