O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu publicamente a atuação do Banco Central (BC) na liquidação do Banco Master. Ele afirmou que o processo foi tecnicamente robusto e que o Brasil pode estar diante da maior fraude bancária de sua história.
A declaração ocorre após entendimentos entre o BC e o Tribunal de Contas da União (TCU) para uma inspeção sobre o caso. As investigações envolvem suspeitas de operações fraudulentas no valor de R$ 12,2 bilhões.
Contexto da liquidação do Banco Master
A situação remonta a novembro do ano passado, quando o BC decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira. As atividades do banco foram interrompidas, a diretoria foi afastada e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foi acionado.
O que é liquidação extrajudicial?
É o processo em que o Banco Central encerra as atividades de um banco sem condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei.
No caso do Master, a medida foi tomada após o BC apontar irregularidades em operações com o Banco de Brasília (BRB). A autoridade monetária declarou que a liquidação era indispensável para proteger o sistema financeiro e a poupança popular.
Investigações e suspeitas de fraude
As apurações giraram em torno de negócios de venda de carteiras de crédito. Havia suspeitas de fraudes do Master para o BRB no valor de R$ 12,2 bilhões.
Esse montante elevado é um dos fatores que levou Haddad a ponderar sobre a possibilidade de se tratar da maior fraude bancária do país.
Operação Carbono Oculto
O caso ganhou complexidade com a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em 28 de agosto de 2025. A operação mobilizou 1.400 agentes em dez estados.
Teve o objetivo de desarticular um amplo esquema de fraude tributária, lavagem de dinheiro e atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. Embora as investigações sobre o Master e a Carbono Oculto sejam distintas, o contexto de combate a crimes financeiros de grande escala se sobrepõe.
Diálogo institucional: TCU e Banco Central
Recentemente, o tema voltou à tona com a movimentação do Tribunal de Contas da União. Haddad informou que tem conversado com o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, sobre o assunto.
Na segunda-feira, 12, Vital do Rêgo se reuniu com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A reunião foi marcada depois de entendimentos diferentes entre as duas instituições.
Acordo para inspeção
Após o encontro, o presidente do TCU afirmou que o BC concordou com uma inspeção sobre o Banco Master. No mesmo dia, a instituição retirou o recurso que havia apresentado contra a decisão do ministro Jhonatan de Jesus, que determinou a inspeção.
Esse movimento sinaliza uma cooperação institucional para esclarecer todos os aspectos do caso.
Defesa pública do ministro Haddad
Em suas declarações, o ministro da Fazenda foi enfático ao defender o trabalho do Banco Central. Haddad ponderou: “Toda transparência [com a atuação do TCU] pode ajudar. Se a intenção for boa, a transparência vai ajudar. Estou absolutamente seguro do trabalho que o Galípolo e equipe fizeram”.
A referência é ao diretor de Fiscalização do BC, Ailton Santos, conhecido como Galípolo, que liderou o processo de liquidação.
Além disso, Haddad concluiu: “Atuamos conjuntamente quando o assunto era da Fazenda. Tivemos conversas com o procurador-geral da República. Tivemos o melhor aconselhamento possível pra chegar até aqui. Eu acredito realmente que o trabalho que foi feito pelo BC é tecnicamente muito robusto”.
Essa fala reforça a confiança do governo na condução do caso, apesar da gravidade das suspeitas. Integrantes do governo não têm se manifestado publicamente sobre o assunto nas últimas semanas.
Cenário fiscal paralelo
Paralelamente ao caso Master, o ministro Fernando Haddad afirmou que números preliminares do Tesouro Nacional indicam que a meta das contas do governo em 2025 será cumprida pelo terceiro ano seguido.
O resultado será divulgado no fim deste mês. Esse dado fiscal positivo contrasta com o desafio representado pela investigação da possível fraude bancária.
Próximos passos e conclusão
Os próximos passos envolvem a inspeção do TCU, que deve detalhar as irregularidades apontadas pelo BC e avaliar a robustez do processo. A cooperação entre as instituições, como destacou Haddad, é vista como crucial para garantir a lisura das apurações.
Enquanto isso, o sistema financeiro aguarda os desdobramentos de um caso que pode marcar a história do combate a crimes econômicos no Brasil.
Fonte
- O Movimento Advocacia Independente (MAI) é uma associação privada sediada em São Paulo, Brasil. Seu foco principal é a defesa de direitos sociais, atuando como uma organização voltada para a advocacia e questões jurídicas.
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