Uma advogada contratada para representar o Banco Master em 20 ações judiciais só atuou efetivamente em um processo no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), onde seu marido é desembargador. A informação consta de levantamento feito pela coluna, que analisou os andamentos processuais desde a habilitação da profissional, em dezembro de 2024. O caso levanta questionamentos sobre a efetividade da contratação e a possível influência do vínculo conjugal na condução dos processos.
Segundo os registros, em 19 das 20 ações, apenas o escritório SOB continua peticionando como representante do Master, sem qualquer participação do escritório de Camilla Ramos nos autos. O escopo do trabalho contratado era justamente atuar nos processos, o que não teria ocorrido na maioria dos casos. A empresa tem contrato válido para receber 5% de tudo que o Master obtiver nesses litígios.
Atuação concentrada em tribunal do marido
A única ação com participação efetiva da advogada tramita no TRF1, onde seu cônjuge exerce a função de desembargador. Nesse processo, a União recorreu da decisão que autorizou o desmembramento do caso, alegando não ter sido ouvida previamente e questionando a legitimidade do Master para representar as demais usinas. O mérito do recurso ainda não foi julgado.
Desde maio de 2025, não há qualquer decisão ou peticionamento do Master nessa ação no TRF1. Questionado pela coluna, o escritório citou seis andamentos relevantes nos 20 processos desde a prisão do banqueiro Vorcaro: um em abril, dois em maio e três entre 10 e 18 de setembro. A fonte não detalhou o conteúdo desses andamentos.
Visitas à prisão e troca de mensagens
Ainda que Vorcaro não tenha mais o controle do banco, Camilla tem visitado com frequência o banqueiro na Papudinha, como revelou a Folha. Em resposta ao jornal, a advogada disse que os encontros servem para levar a Vorcaro informações sobre o andamento dos processos. A natureza dessas visitas e o conteúdo das conversas não foram detalhados.
Em outro diálogo, meses antes, um interlocutor identificado como Rennó enviou o contato de Kevin e perguntou a Vorcaro: “Esse aqui – 500 mil mês – mantém?”. A mensagem sugere a existência de pagamentos mensais, mas não há confirmação sobre a identidade de Kevin ou a relação com o caso.
Operações com títulos no mercado paralelo
Com a perspectiva de liquidez frustrada, os preços dos papéis do Master caíram naturalmente no mercado paralelo. O banco aproveitou para adquiri-los em grande volume, a partir de uma cadeia de fundos e do uso da Entrepay. A operação pode ter relação com os processos judiciais, mas a fonte não detalhou a conexão.
Defesa alega regularidade na contratação
Em nota, o escritório de Camilla Ramos afirmou que a atuação na defesa dos interesses do Banco Master sempre ocorreu dentro dos limites legais, mediante a devida contratação e regular habilitação nos respectivos processos. A defesa também citou o Estatuto da Advocacia e o Código de Processo Civil, que permitem a qualquer advogado regularmente constituído praticar individualmente os atos processuais necessários.
A divergência entre os registros processuais e a alegação de regularidade permanece sem esclarecimento. O caso segue em apuração pela coluna, que aguarda novos desdobramentos.
Fonte
- www.direitonews.com.br
- Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (fenaj.org.br)
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