A advocacia brasileira vive um paradoxo: embora as mulheres sejam maioria na profissão, a desigualdade de gênero persiste em diversas esferas. A luta – na advocacia e na sociedade – continua. Para compreender esse cenário e vislumbrar os próximos passos, é necessário um olhar feminista que vá além dos números e enfrente as estruturas que ainda limitam a atuação plena das mulheres no Direito.
Maioria numérica, minoria no poder
A maior parte da advocacia é exercida por mulheres. Isso é um exemplo positivo da advocacia em comparação com outras áreas, principalmente se lembrarmos que há pouco mais de cem anos a presença de mulheres advogadas era uma exceção. No entanto, a desigualdade de gênero na advocacia não é, definitivamente, por causa da quantidade de mulheres exercendo esse elevado ministério. O problema reside na distribuição de poder, oportunidades e reconhecimento. As mulheres ainda são minoria em cargos de liderança em escritórios, tribunais e instituições jurídicas, além de enfrentarem disparidades salariais e obstáculos para ascensão profissional.
Do ‘faça acontecer’ ao ‘impeça de acontecer’
Oportuna a advertência de Fraser que se aplica a todos nós, para que transformemos o “feminismo do faça acontecer” no do “impeça de acontecer” (FRASER, et al. 2019. p.39). Essa reflexão propõe uma mudança de paradigma: não basta que as mulheres se adaptem e lutem individualmente para vencer em um sistema desigual; é preciso agir coletivamente para desmontar as barreiras estruturais que perpetuam a discriminação. O feminismo do ‘faça acontecer’ muitas vezes responsabiliza a mulher por seu sucesso ou fracasso, ignorando as condições desiguais de partida. Já o ‘impeça de acontecer’ convoca a sociedade a impedir que injustiças continuem a se reproduzir.
Um futuro mais inclusivo
Certamente quero deixar para as próximas gerações, incluindo minhas filhas, um sistema mais inclusivo, em que prevaleça igualdade real, sem discriminação de raça ou gênero. Essa aspiração reflete o desejo de muitas profissionais do Direito que buscam não apenas ocupar espaços, mas transformá-los. Para isso, são necessárias políticas institucionais, mudanças culturais e ações afirmativas que garantam equidade. A advocacia, como campo de atuação e reflexão, tem o potencial de liderar essa transformação, promovendo debates e práticas que incorporem a perspectiva feminista de forma transversal.
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Fonte
- www.jota.info
- FAQ (inteligencia.jota.info)
- Contato (portal.jota.info)
- Trabalhe Conosco (carreira.inhire.com.br)
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