Juíza repreende defesa de Jairinho: ‘Se ficar discutindo o sexo dos anjos, esse julgamento não termina’
No julgamento do ex-vereador Jairinho pela morte do menino Henry Borel, a juíza responsável repreendeu a defesa do réu. A magistrada afirmou que, se continuassem discutindo questões irrelevantes, o julgamento não terminaria. A fala ocorreu após a defesa questionar a legitimidade do depoimento de um psiquiatra convocado pela acusação.
Depoimento do psiquiatra gera polêmica
Convocado pela acusação, o psiquiatra Bernardon afirmou ao Conselho de Sentença que, após analisar os autos do processo, percebeu em Jairinho um comportamento que indicaria satisfação ao causar sofrimento em crianças. Bernardon disse que sua análise era subjetiva e que teve essa percepção e interpretação. A declaração provocou reação imediata da defesa do ex-vereador, que interrompeu a fala para destacar que a conclusão apresentada representava uma interpretação pessoal do psiquiatra. Bernardon reforçou que sua análise estava baseada na leitura técnica dos elementos reunidos na investigação.
Defesa questiona legitimidade do especialista
Após o depoimento, os advogados de Jairinho passaram a questionar a legitimidade da participação do especialista no julgamento. O criminalista Rodrigo Faucz afirmou que Bernardon não entrevistou o ex-vereador e que sua manifestação teria violado diretrizes éticas da medicina. Faucz afirmou que é um absurdo a oitiva de um médico psiquiatra que não poderia sequer se manifestar sobre pessoas que não foram entrevistadas. O advogado sustentou que o especialista não presenciou os fatos investigados e foi contratado pela acusação. Faucz disse que se trata de uma pessoa que não presenciou, não entrevistou e apenas foi contratada pela acusação para expor suas impressões pessoais.
Juíza intervém e encerra discussão
Diante dos questionamentos, a juíza repreendeu a defesa. Zanone rebateu, dizendo que o Ministério Público havia levado cerca de quatro horas na inquirição do psiquiatra enquanto ele só duas. A magistrada respondeu que ainda não tinha feito esse pedido antes da fala da acusação. O interrogatório terminou pouco depois. Segundo Faucz, a própria magistrada já havia considerado o depoimento irrelevante em fase anterior do processo. Faucz declarou que a própria juíza proibiu, na audiência em primeira fase, que ele fosse ouvido, por considerar irrelevante a opinião de uma pessoa alheia e paga para confirmar a versão acusatória.
Próximos passos do julgamento
Após a oitiva de Bernardon, ainda estavam previstos os depoimentos do perito Luís Carlos Leal Prestes e da médica Maria Cristina de Souza Azevedo. O júri vai ouvir a médica Maria Cristina de Souza, responsável por atender o menino no dia da morte. O julgamento, iniciado na segunda-feira, já acumula mais de dois dias de sessões. A defesa de Jairinho conseguiu liminar para que interrogatório do réu aconteça após o de Monique. Durante o julgamento, a defesa de Jairinho obteve uma liminar em habeas corpus para garantir que o interrogatório do ex-vereador no júri pela morte de Henry Borel seja realizado somente após o depoimento de Monique Medeiros. O pedido foi apresentado pelos advogados Rodrigo Faucz e Alanis Matzembacher.
📄 Documentos Relacionados
- 📎 Código de Ética do Jornalismo (04-codigo_de_etica_dos_jornalistas_brasileiros.pdf)
Fonte
- www.direitonews.com.br
- Constituição Federal (www.planalto.gov.br)
- Código de Ética do Jornalismo (fenaj.org.br)
- AQUI (pay.hub.la)
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