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Justiça de MG indeniza por morte em doença de rato

Justiça de MG indeniza por morte em doença de rato

A Justiça de Minas Gerais condenou um município a indenizar a família de um servidor público que faleceu após contrair uma doença transmitida por ratos durante o exercício de suas funções. O operador de máquinas atuava na demolição de uma casa em ruínas sob responsabilidade da prefeitura quando foi infectado pelo hantavírus.

A decisão judicial estabeleceu valores compensatórios após perícia técnica confirmar que as condições no local de trabalho eram inadequadas e levaram à contaminação fatal.

Condições de trabalho inadequadas e falta de EPI

O servidor, que trabalhava como operador de máquinas, foi designado para atuar na demolição de uma casa em ruínas sob responsabilidade do município. Segundo o processo, o local estava infestado por ratos, animais que são os principais transmissores do hantavírus.

A perícia realizada no caso apontou que as condições de trabalho eram inadequadas para a atividade que estava sendo executada. O laudo técnico indicou ainda que o trabalhador não utilizava equipamentos de proteção apropriados durante a execução do serviço.

Falhas na segurança do trabalho

Entre os itens de segurança que estavam ausentes estavam:

  • Máscaras
  • Óculos
  • Luvas de látex

Esses equipamentos poderiam ter oferecido alguma proteção contra os riscos presentes no ambiente. Essas falhas na segurança do trabalho criaram as condições para que a infecção ocorresse durante a execução das atividades profissionais.

O documento pericial foi conclusivo ao estabelecer a relação direta entre o trabalho e a doença. Segundo o laudo, a inalação de poeira e o contato com fezes e urina de ratos no local provocaram a infecção que levou ao óbito do servidor.

Essa constatação técnica foi fundamental para embasar a decisão judicial que reconheceu a responsabilidade do município pelo ocorrido.

O que é a hantavirose: doença transmitida por roedores

Segundo o Ministério da Saúde, a hantavirose é uma zoonose viral aguda, ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos. A enfermidade pode se instalar em alguns roedores silvestres, que são capazes de eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes.

Esses animais podem carregar o vírus durante toda a vida sem apresentar qualquer sintoma da doença, tornando-se portadores assintomáticos.

Sintomas e período de incubação

Nos seres humanos, os primeiros sinais da doença podem surgir entre três e 60 dias após a infecção ocorrer. Os sintomas iniciais incluem:

  • Febre
  • Dores nas articulações
  • Dor de cabeça
  • Dor lombar
  • Dor abdominal
  • Sintomas gastrointestinais

O período de incubação variável torna complexa a identificação precisa do momento exato da contaminação em muitos casos.

Distribuição geográfica no Brasil

Embora a doença seja registrada em todas as regiões do Brasil, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram o maior percentual de casos confirmados. Essa distribuição geográfica reflete diferentes fatores ambientais e de ocupação do território que influenciam na transmissão da doença entre roedores e humanos.

Recurso do município de Guimarânia

Condenado em primeira instância, o município de Guimarânia recorreu da decisão judicial. A defesa da prefeitura alegou que não havia provas suficientes para comprovar que a contaminação ocorreu especificamente durante o período de trabalho.

Essa argumentação questionava o nexo causal entre a atividade profissional e a doença contraída pelo servidor.

Alegações da defesa municipal

Além disso, Guimarânia sugeriu que a vítima poderia já estar doente antes da execução da obra municipal. Essa linha de defesa buscava transferir a responsabilidade para fatores externos ao ambiente de trabalho, argumentando que a infecção poderia ter ocorrido em outro momento ou local.

O recurso representou uma tentativa de reverter a condenação inicial obtida pela família do servidor.

Apesar das alegações apresentadas pela defesa municipal, a decisão judicial manteve-se fundamentada nas conclusões da perícia técnica. O laudo que apontou as condições inadequadas de trabalho e a falta de equipamentos de proteção forneceu elementos consistentes para sustentar a relação entre a atividade profissional e a contaminação.

Essa base técnica fortaleceu a posição da família na disputa judicial.

Valores da indenização fixados pela Justiça

Os valores da indenização foram fixados em R$ 50 mil para compensar os danos morais sofridos pela família do servidor. Além desse montante único, a decisão judicial estabeleceu uma pensão mensal correspondente a dois terços do salário que era recebido pelo trabalhador.

Esse benefício deverá ser pago até a data em que o servidor completaria 73 anos de idade, garantindo suporte financeiro de longo prazo para seus dependentes.

Ressarcimento de despesas

Foi ainda determinado o ressarcimento de R$ 2,7 mil referente às despesas com o funeral do servidor. Esse valor busca cobrir os custos imediatos enfrentados pela família com as cerimônias fúnebres e o sepultamento.

A combinação dessas compensações financeiras visa amenizar o impacto econômico da perda sofrida pelos familiares.

Significado da decisão judicial

A decisão judicial representa um reconhecimento formal da responsabilidade do município pelo ocorrido. Ao estabelecer esses valores compensatórios, a Justiça busca não apenas reparar os danos sofridos pela família, mas também enviar uma mensagem sobre a importância de garantir condições adequadas de trabalho para todos os servidores públicos.

O caso serve como alerta sobre os riscos de atividades realizadas em ambientes com presença de roedores.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
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