Brasília — Enquanto comemorava a vitória nas eleições e descansava do ritmo intenso da campanha, o presidente Lula viu crescer a lista de problemas na área econômica, conforme analisa Fábio Pupo na nota 1 do JOTA PRO Poder. A transição do terceiro para o quarto mandato é marcada por um acúmulo de impasses que vão desde a política monetária até a reforma tributária, com reflexos diretos na capacidade do governo de eleger um sucessor em 2030.
Incerteza fiscal interrompe cortes da Selic
A incerteza sobre o rumo das contas públicas levou à interrupção dos cortes da taxa básica de juros, a Selic. Além disso, as projeções de desaceleração da atividade econômica continuam se agravando, e as discussões sobre a reforma tributária agora ameaçam a arrecadação federal em 2027. Esses fatores compõem um cenário de instabilidade que exige respostas rápidas do Executivo, especialmente em um momento de transição de mandato.
Lula também precisa definir quem fica e quem entra na composição dos ministérios e as indicações a outras posições-chave na área econômica, como as do Banco Central. As nomeações da autarquia dependem do Congresso e, assim como os ajustes na proposta orçamentária e outras medidas na área fiscal, precisariam ser feitas ainda neste ano para aproveitar uma composição parlamentar mais favorável, especialmente no Senado. A fonte não detalhou prazos específicos para essas definições.
Reunião no Planalto discute cenário econômico
Ontem, Lula recebeu alguns dos principais integrantes do governo para discutir o cenário econômico: o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Miriam Belchior (Casa Civil), Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e Esther Dweck (Gestão). Também participaram Aloizio Mercadante (presidente do BNDES), Fernando Haddad (ex-ministro da Fazenda), Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda) e Luciano Coutinho (ex-presidente do BNDES). Outros presentes foram os economistas Laura Carvalho (da FEA-USP, com pesquisa em redistribuição de renda e desigualdade) e Eduardo Moreira (ex-sócio do banco Pactual com forte presença pró-Lula nas redes).
Nesse sentido, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, deu um “recado” após a reunião, contra a proposta do economista André Lara Resende de sugerir a redução dos juros por meio da criação de uma banda para a Selic: Durigan afirmou que “não há fórmula mágica para resolver a economia”. A declaração sinaliza que o governo não pretende adotar medidas heterodoxas na condução da política monetária, mantendo o compromisso com o arcabouço fiscal vigente.
Reforma tributária sob pressão de adiamento
Um dos temas que ganha destaque entre as discussões econômicas é a possibilidade de adiamento do início da reforma tributária, com a mobilização do Conselho Federal da OAB e de entidades que reúnem tributaristas, conforme escrevem Daniel Marques Vieira e Eduarda Esposito no JOTA PRO Poder. As principais preocupações são a ausência de definições essenciais e as dificuldades operacionais que comprometem a preparação dos contribuintes.
Embora já haja movimentação a favor do adiamento dentro do Congresso, parlamentares ouvidos pelo JOTA dizem que a PEC para isso dependeria do Planalto, que sinaliza em sentido oposto. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo deve divulgar medidas complementares para tentar melhorar a aceitação da reforma. A fonte não detalhou quais seriam essas medidas nem o cronograma de divulgação.
Aprovação de 47% insuficiente para sucessor
A aprovação do governo é um elemento crítico do cálculo para Lula fazer um sucessor em 2030, analisa Daniel Marcelino no JOTA PRO Poder. Enquanto a oscilação nas intenções de voto dificultou a análise do resultado da última eleição, a leitura da linha estável de 47% de aprovação do governo, sem grandes sobressaltos, era um indicador melhor da reeleição de Lula.
O número aponta que um presidente tem na urna o que tem de aprovação. Os pontos percentuais que Lula obteve além desse patamar mostram que Flávio Bolsonaro não conseguiu convencer parte dos eleitores insatisfeitos de que seria uma alternativa melhor. Os dados indicam que um governante — presidente, governador e prefeito de capital — que concorre à reeleição tem cerca de 51% de chance de vitória com a aprovação em torno de 42%. Mas para eleger um sucessor, a aprovação precisa chegar a aproximadamente 57%.
Flávio Bolsonaro comenta fuga aos EUA
Na primeira entrevista após chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro disse ao jornal americano The New York Times que “vai levar para o túmulo” a história de como fugiu para o país. A declaração não tem relação direta com os impasses econômicos, mas ilustra o contexto político em que se insere a transição de mandato.
Diante desse quadro, o governo Lula enfrenta o desafio de conciliar a agenda econômica com as demandas políticas de curto prazo, enquanto prepara o terreno para as eleições de 2030. A fonte não detalhou os próximos passos do Executivo, mas as discussões em andamento indicam que as definições sobre juros, reforma tributária e composição ministerial serão cruciais para a estabilidade do quarto mandato.
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