Por Fábio Trombetti
O prazer da leitura faz-me salivar… Por mais estranho que pareça, é verdade! Para entender como isso ocorre, socorro-me de uma imagem: é como se eu estivesse diante de uma deliciosa refeição, daquelas cujo aroma inebria e logo vem a vontade que não se pode “sofrear” de saboreá-la.
O prazer da leitura, para mim, é igual. Tem gosto!
Gosto do cheiro do livro impresso. Cheiro de livro novo ou daquele que ficou um tanto mais na prateleira, aguardando pacientemente para ser desvendado e desvelado. Certo professor dizia: um livro fechado, um amigo que espera.
Somam-se a isso outros ingredientes: as cores das letras, os matizes variegados das palavras, as impressões coloridas que trazem as frases. Que prazer difícil de descrever é a leitura! Delícia das delícias!
Se a leitura é técnica, aprecio todos os autores, porém, os mais antigos são de minha predileção, especialmente aqueles cujo modo de escrever hoje é mais difícil de se encontrar, pois tais escritores não se contentavam com o linguajar puramente técnico, rígido, estreito e frio. Eram, ao revés, verdadeiros literatos e até mesmo poetas quando se punham a escrever. O prazer de uma leitura como essa é algo de estupendo e deleitoso. Essa espécie hoje rara de leitura tem gosto, tem sabor, tem cheiro, tem cor e até mesmo musicalidade.
Se é romance, os cenários descortinados pela leitura envolvente vão formando quadros, verdadeiras pinturas. Sinto-me parte oculta das vivências dos protagonistas da história. Lendo, um verdadeiro filme cinematográfico vai se emoldurando na minha mente. Virada a última página, logo vem aquele gostinho de queria mais.
Se é filosofia, o tom solene e por vezes grave das palavras assemelha-se ao se estar em um templo ouvindo os sábios mestres falando a seus discípulos que os ouvem em êxtase.
Leituras outras há que são verazes, saborosíssimas e mui nutritivas refeições para o espírito e outras que são como lindas pinturas e belas esculturas em uma exposição ou até mesmo músicas: belas sinfonias em um grande concerto orquestral!
Pelos livros testemunhamos o verbo-pensamento em ação que inebria, encanta, enternece, faz refletir e até pode entristecer, porém, sempre e sempre, acrescentam algo de novo e precioso ao espírito.
Não se é o mesmo após ler. Quem lê desfruta de uma experiência multissensorial: é a ventura da aventura da leitura e tudo o que ela proporciona ao leitor. Quanto mais se lê, mais se quer ler-saber e na ânsia de penetrar o impenetrável, de compreender o incompreensível, esse desejo provém, muita vez, da leitura de obras e títulos quer científicos, quer esotéricos. Nessas ocasiões mente e alma se envolvem nesses mistérios insondáveis e como que parecem destacar-se do corpo voando para outras paragens dimensionais.
E quantas e quantas vezes o leitor apaixonado, num gesto delicado e instintivo, não aperta o livro ao peito, suspirando, como querendo que ele penetre a sua alma, a sua mente, o seu coração! Quem nunca chorou lendo?
Ler, ler e ler, mais e mais…
E de tanto ler, vem a vontade incontrolável de escrever e tentar traduzir em palavras o amor pela leitura.
Esse amor herdei de meu pai, ávido leitor, jurista, professor, poeta e escritor. Tudo lhe interessava: história, literatura, ciências em geral, filosofia, jornais, poesia, teatro. Lia vários livros ao mesmo tempo.
Pensando nessa maneira particular de ter com os livros, li certa feita uma referência a uma pensadora, sobre ser dotada, por vezes, de sabedoria centrípeta e vezes outras, de sabedoria centrífuga.
Meu pai era assim e posso dizer que dele herdei esse modo de “ser-ler”. Interno conhecimento para depois compartilhar o que apreendi – aprendi – e compreendi.
Eis aí a força, a beleza e a sabedoria do ler, aprender e compartilhar conhecimento.
Ler é viver centripetamente. Escrever é centrifugar vivências apreendidas, aprendidas e compreendidas.
Por fim, ler é preciso, e, na minha leitura, viver faz parte e escrever é uma necessidade inalienável!
E assim sigo pela vida, lendo e escrevendo, entintando o branco da tela com o negro das letras e das palavras, saboreando-as como delicados e raros manjares que são. As cores? Estas não estão na tela, mas na minha mente: quadros em uma linda exposição e músicas em uma seleta sala de orquestra.

Dr Fábio Marcos Bernardes Trombetti
Advogado há 44 anos na área cível. Foi Vice-Presidente da 57.ª Subseção Guarulhos da OAB SP e Presidente desta subseção em duas gestões. Conselheiro Efetivo Secional da OAB SP e Presidente da 18.ª TED OAB SP de 2015 a 2018. Palestrante do Departamento de Cultura e Eventos da OAB SP e Membro de diversas comissões temáticas de trabalho da OAB SP, dentre elas, Seleção e Inscrição, Conselho de Prerrogativas, Orçamento e Contas, Relações com o Poder Judiciário, 5.º Constitucional, Resgate da Memória da OAB SP (a qual fundou, institui e presidiu de 2004 a 2015). Ex-Professor Universitário na FIG/Unimesp e UnG (1986 a 1998).
**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.
Imagem em destaque: freepik
- O Movimento Advocacia Independente (MAI) é uma associação privada sediada em São Paulo, Brasil. Seu foco principal é a defesa de direitos sociais, atuando como uma organização voltada para a advocacia e questões jurídicas.
Últimas publicações
Artigos20 de maio de 2026O Gostoso Gosto Da Leitura: Cores E Sabores
Artigos5 de maio de 2026Por que o porte de armas também deve contemplar os advogados
Artigos6 de abril de 2026Reformar para Preservar: O Brasil Precisa Corrigir o Judiciário — Não Destruí-lo
Artigos1 de abril de 2026Que Trata Da Misoginia Como Crime E A Equipara Ao Crime De Racismo. Pasme: Não Fizeram Estudo De Impacto Dessa Lei. Entenda.
























