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Moraes bloqueia até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz

Moraes bloqueia até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz. A medida foi tomada no âmbito de investigações que apuram fraudes em benefícios do INSS e vazamento de informações sigilosas no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão também inclui o cancelamento dos passaportes do investigado e a suspensão de atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as suas empresas.

Além do bloqueio bilionário, o magistrado ordenou uma investigação sobre a rede de correntistas da empresa Alcazar Holdings. Essa empresa é dona da conta que tinha o senador Flávio Bolsonaro cadastrado como “usuário master”, condição que dá a ele o poder de gerenciar a conta. A apuração busca mapear possíveis conexões financeiras e identificar outros envolvidos no esquema.

Contexto da decisão e viagem aos EUA

A medida foi tomada depois que a Polícia Federal descobriu que Willer Tomaz viajou para Miami, nos Estados Unidos, em agosto. A viagem ocorreu após ele ser alvo da operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes em benefícios do INSS. A PF considerou a viagem um indício de risco de fuga, o que motivou o pedido de bloqueio de bens e restrições de locomoção.

O bloqueio de até R$ 6 bilhões visa assegurar o ressarcimento de valores potencialmente desviados. A decisão de Moraes também suspendeu as atividades empresariais de Tomaz, impedindo que ele movimente recursos ou continue operando negócios enquanto durar a investigação. A fonte não detalhou o prazo de vigência das medidas cautelares.

Investigação sobre vazamento no STJ

Na última semana, o Superior Tribunal de Justiça abriu apuração interna para averiguar o vazamento de minutas de votos de ministros e de pareceres do Ministério Público Federal ao advogado. O servidor que seria o responsável pelo vazamento e que atua na área de informática do tribunal foi exonerado. A exoneração ocorreu após a divulgação do caso pela imprensa.

O vazamento de informações foi divulgado em reportagem do portal UOL. Segundo a reportagem, Willer Tomaz receberia informações adiantadas de votos dos ministros e posições do MPF e, com isso, definia a estratégia processual. O advogado negou categoricamente ter obtido esse tipo de acesso ou ter interferido ou ajustado o conteúdo de manifestações do MPF.

Envolvimento de procurador aposentado

Segundo o UOL, o procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares é suspeito de vazar informações sigilosas e combinar o conteúdo de pareceres com Tomaz. Assim como o advogado, Soares é próximo de Flávio Bolsonaro, e chegou a ser cotado para o cargo de procurador-geral da República em 2019, no governo de Jair Bolsonaro (PL). A investigação apura se houve troca de favores ou benefícios indevidos entre os envolvidos.

Tomaz, por sua vez, pagou viagens de Flávio à Europa, segundo a Polícia Federal, e teria cedido um imóvel em São Paulo para a campanha do candidato em 2026, de acordo com a revista Piauí. Essas conexões reforçam a tese de que o advogado mantinha relações próximas com o senador, o que pode ter influenciado sua atuação em processos judiciais.

Impacto prático e próximos passos

Para advogados e operadores do Direito, a decisão de Moraes demonstra o rigor do STF em casos de corrupção e vazamento de informações. O bloqueio de até R$ 6 bilhões é um dos maiores já determinados contra um advogado no Brasil. A suspensão das atividades empresariais também impede que Tomaz continue atuando como sócio ou administrador de empresas, o que pode afetar terceiros que negociam com suas holdings.

Os investigados poderão apresentar defesa e contestar as medidas cautelares. A investigação sobre a Alcazar Holdings deve revelar se o senador Flávio Bolsonaro utilizou a conta para movimentar recursos de origem ilícita. A fonte não detalhou se o senador será formalmente investigado nesse inquérito, mas a condição de “usuário master” indica que ele tinha controle sobre a conta.

O caso segue em segredo de justiça, e novas informações devem surgir conforme a Polícia Federal avançar nas apurações. A defesa de Willer Tomaz nega todas as acusações e afirma que o advogado não cometeu irregularidades. O STF ainda não se pronunciou oficialmente sobre o teor completo da decisão.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
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