A Polícia Federal deflagrou, nesta segunda-feira, operação contra o monopólio de internet explorado pelo Comando Vermelho (CV) em comunidades do Rio de Janeiro. Entre os presos estão a mãe e o irmão do cantor Oruam, cujo pai, Márcio Santos Nepumuceno, o Marcinho VP, já estava encarcerado e teve novo mandado de prisão cumprido. A ação visa desarticular a estrutura de provedores que, segundo a PF, lavam dinheiro para a facção e financiam o controle territorial.
Até a última atualização desta reportagem, 20 mandados de prisão haviam sido cumpridos. Outro preso é o vereador do Rio de Janeiro Fabio Silva (Podemos), localizado em Londrina (PR). A operação mobilizou agentes para cumprir, no total, 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.
Bloqueio de R$ 558 milhões e suspensão de empresas
Também foi determinado o bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, alcançando 40 pessoas físicas e 42 empresas. A medida inclui a suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas envolvidas — entre provedores de internet, produtoras de eventos, firmas de contabilidade e empresas de fachada. A PF afirma que essas firmas lavam dinheiro para o CV e sustentam a estrutura criminosa.
O objetivo é desarticular a estrutura de provedores do tráfico que operam nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Segundo a PF, Marcinho VP “continua a controlar as atividades empresariais exploradas nesses territórios, em conjunto com seus familiares e outras lideranças da facção”. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para a cassação das outorgas e a interdição dos provedores, com a adoção de providências para assegurar a continuidade do serviço aos moradores das localidades afetadas.
Internet como principal fonte de receita do CV
“Registros contábeis da própria facção indicam que, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha”, informou a PF. “A exploração desse serviço público tornou-se uma das principais atividades lucrativas do crime organizado e fomenta a guerra pelo controle de territórios: cada comunidade dominada representa uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para a facção”, explicou a corporação.
Os investigados responderão pelo crime de domínio social estruturado, que pune grupos que empregam violência, grave ameaça e coação para impor controle territorial e social, intimidar populações, reprimir autoridades e atacar serviços essenciais. Poderão responder também por extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.
Força-tarefa Missão Redentor II e histórico de Oruam
A ação desta segunda-feira se insere no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa a combater organizações criminosas atuantes no RJ, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635. Em abril, Oruam, Márcia e Lucca tinham sido alvos de prisão em uma fase da Operação Contenção, deflagrada pela Polícia Civil do RJ, suspeitos de lavar dinheiro para o Comando Vermelho (CV). Eles não foram encontrados.
Em maio, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou à Justiça Marcinho VP, Marcia, Oruam e outras 9 pessoas por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A fonte não detalhou se Oruam é investigado no inquérito atual. A operação segue em andamento e novas prisões podem ocorrer.
Fonte
- www.direitonews.com.br
- Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (fenaj.org.br)
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