O juiz Gustavo de Castro Campos, de 43 anos, titular da 2ª Vara da Comarca de Mococa, no interior de São Paulo, foi encontrado morto carbonizado dentro de seu próprio veículo, um Volvo, na noite de quarta-feira. O carro estava em uma estrada de terra na zona rural de São João da Boa Vista, a aproximadamente 77 km de Mococa. A Polícia Militar foi acionada por volta das 20h15 para atender a ocorrência de incêndio em veículo.
Segundo informações da Polícia Civil, um homem que passava pelo local tentou apagar as chamas jogando terra sobre o carro com auxílio de uma retroescavadeira. Em depoimento, a testemunha afirmou que não percebeu a presença de ninguém no interior do veículo devido à fumaça intensa e aos vidros escuros. Somente após os bombeiros controlarem o incêndio é que o corpo foi localizado no banco do motorista.
A vítima foi identificada por uma tatuagem no abdômen e pelos documentos encontrados na carteira, que permaneceu no local. A aliança do magistrado também não foi levada, e não havia sinais aparentes de violência no corpo ou no veículo. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São João da Boa Vista conduz o inquérito, registrado como morte suspeita.
Trajetória profissional: da advocacia à magistratura
Gustavo de Castro Campos nasceu em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, em 1981. Formou-se em Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas e possuía duas especializações na área jurídica. Antes de ingressar na magistratura paulista, exerceu a advocacia por dez anos, conforme consta em seu perfil profissional.
Posteriormente, atuou como delegado da Polícia Civil do Espírito Santo e como juiz substituto na Justiça capixaba. Em 2014, ingressou no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), iniciando como juiz substituto da 14ª Circunscrição Judiciária, com sede em Barretos. Também passou pela comarca de Tambaú antes de assumir a titularidade da 2ª Vara de Mococa.
A carreira de Campos refletia uma combinação de experiência prática e acadêmica, comum entre magistrados que buscam atuação em comarcas do interior. Sua nomeação para Mococa, cidade com cerca de 68 mil habitantes, ocorreu após anos de atuação em varas únicas e substitutas, onde lidava com ampla competência cível e criminal.
Repercussão institucional e luto oficial
O Tribunal de Justiça de São Paulo emitiu nota oficial lamentando o falecimento: “Os integrantes do Tribunal de Justiça de São Paulo comunicam e lamentam o falecimento do juiz Gustavo de Castro Campos e se solidarizam com familiares e amigos neste momento de luto e despedida”. A mensagem foi divulgada no portal do TJ-SP e replicada em canais internos.
A Prefeitura de Mococa decretou luto oficial de três dias. Em nota, o Executivo municipal afirmou que a “medida expressa a homenagem e solidariedade do Poder Executivo aos familiares, amigos e colegas da magistratura”. A Apamagis (Associação Paulista dos Magistrados) também se manifestou: “A Apamagis lamenta profundamente a morte do Juiz Gustavo de Castro Campos e se solidariza com a família e os amigos neste momento de dor”.
As manifestações destacam o impacto da perda para a comunidade jurídica local. Magistrados de comarcas vizinhas e servidores do fórum de Mococa devem organizar homenagens nos próximos dias, embora a fonte não tenha detalhado eventos específicos.
Investigação em andamento: o que se sabe
A Polícia Civil não encontrou sinais aparentes de violência no corpo ou no veículo. Nada foi levado do carro, pois a aliança e a carteira continuavam com a vítima. O caso é investigado como morte suspeita, e a DIG de São João da Boa Vista conduz o inquérito.
Peritos do Instituto de Criminalística realizaram exames no local e no veículo. A causa da morte ainda não foi divulgada, e a fonte não detalhou se houve solicitação de exames complementares, como toxicologia ou análise de imagens de câmeras de segurança da região. A estrada onde o carro foi encontrado é pouco movimentada, o que pode dificultar a obtenção de testemunhas adicionais.
O delegado responsável pelo caso não se pronunciou publicamente. A Polícia Civil informou que novas informações serão divulgadas somente após avanços na investigação, sem previsão de prazo.
Impacto para a comarca e próximos passos
A 2ª Vara de Mococa, onde o magistrado atuava, terá seus processos redistribuídos ou assumidos por juiz substituto designado pela Corregedoria-Geral da Justiça. O TJ-SP não informou se haverá designação imediata ou se a vara ficará temporariamente sem titular.
Advogados que atuam na comarca devem acompanhar as publicações oficiais para verificar prazos e audiências. Em casos de vacância, o Código de Processo Civil prevê a continuidade dos atos processuais com a intervenção de juiz substituto ou cooperação judiciária, conforme os artigos 930 e seguintes do CPC. A fonte não detalhou se haverá impacto em prazos processuais.
Para a comunidade jurídica local, a morte do magistrado gera comoção e incerteza sobre a rotina forense. A expectativa é que o TJ-SP adote medidas administrativas para minimizar prejuízos aos jurisdicionados, como a designação de juiz auxiliar ou a redistribuição de processos urgentes.
Contexto e segurança de magistrados
Casos de morte violenta de magistrados são raros no Brasil, mas reacendem debates sobre segurança institucional. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mantém programas de proteção a juízes ameaçados, especialmente em regiões de conflito agrário ou criminalidade organizada. No entanto, a fonte não detalhou se o magistrado possuía medidas protetivas ou histórico de ameaças.
A investigação em curso deverá esclarecer se a morte tem relação com a atividade profissional ou se trata de ocorrência de natureza diversa. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou linhas de investigação prioritárias, mantendo o caso sob sigilo.
O sepultamento do magistrado deve ocorrer em Mogi das Cruzes, sua cidade natal, conforme informações preliminares. A fonte não detalhou data ou local exatos. Familiares e amigos devem se reunir em cerimônia reservada.
Fonte
- www.direitonews.com.br
- Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (fenaj.org.br)
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