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Mutirão penal do CNJ bate recorde com 300 mil casos

Mutirão penal do CNJ bate recorde com 300 mil casos

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou nesta semana os resultados do mais recente mutirão processual penal, que alcançou a marca de quase 300 mil casos analisados em todo o país. A iniciativa, prevista como meta do plano Pena Justa, revisou 277 mil processos e resultou na liberação de quase 51 mil pessoas, segundo dados oficiais. O esforço concentrado envolveu magistrados, servidores e equipes técnicas em todas as unidades da federação, com foco na regularização de situações processuais e no combate à superlotação carcerária.

Indultos lideram volume de processos revisados

Os indultos concentraram o maior número de processos, com 205 mil casos analisados. Desse total, 26.832 pessoas tiveram o direito reconhecido, conforme os números apresentados pelo CNJ. A medida beneficia, em sua maioria, pessoas que já cumpriram os requisitos legais para a extinção da pena ou para a progressão de regime, mas aguardavam decisão judicial. A celeridade proporcionada pelo mutirão evitou que essas pessoas permanecessem presas além do tempo determinado por lei.

Além dos indultos, o mutirão resultou na extinção de 8.236 penas de multa, em sua maioria aplicadas a pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. A expedição de 2.222 alvarás de soltura também foi registrada, permitindo a saída imediata de pessoas que já haviam cumprido suas penas ou obtido direito à liberdade. Esses números refletem a correção de distorções históricas no sistema de justiça criminal, especialmente para a população mais pobre.

Revisão de prisões preventivas e progressão de regime

Outro destaque do mutirão foi a regularização da situação de quase 17 mil pessoas com prazos vencidos para progressão de regime ou excesso de prazo de prisão preventiva sem condenação. A revisão desses casos é considerada essencial para garantir o respeito ao devido processo legal e evitar prisões ilegais. O CNJ informou que a correção dessas situações processuais pode resultar na recuperação de R$ 250 milhões para o Estado até o final do ano, considerando o custo mensal de cada preso.

“Essa correção da situação processual pode resultar na recuperação de R$ 250 milhões para o Estado até o final do ano, considerando o custo mensal de cada preso. Esse recurso agora pode ir para educação, saúde e outras políticas de prevenção contra a criminalidade”, afirmou Lanfredi, coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do CNJ. A declaração reforça o impacto financeiro positivo da medida, além do benefício social direto aos envolvidos.

Política antimanicomial e monitoramento eletrônico

De forma alinhada à Política Antimanicomial do Poder Judiciário, o mutirão analisou 456 casos de pessoas submetidas a internação provisória ou medida de segurança e ao monitoramento eletrônico. Desses, um terço dos casos foi revisado, o que pode resultar em desinternação ou substituição por medidas menos gravosas. A iniciativa busca assegurar que pessoas com transtornos mentais não permaneçam em instituições prisionais inadequadas, em conformidade com a legislação vigente.

A revisão também funcionou como etapa preparatória para a implantação das Centrais de Regulação de Vagas em todas as unidades da federação, conforme meta do Pena Justa. Atualmente, essas centrais estão instaladas em 12 estados, e a expectativa é de expansão nacional. O monitoramento permanente desses incidentes é parte da estratégia para garantir o controle adequado das entradas e saídas da prisão, de forma a evitar a superlotação de maneira permanente.

Impacto prático para advogados e jurisdicionados

Para advogados e operadores do Direito, os resultados do mutirão representam uma oportunidade de regularizar a situação de clientes que se enquadram nos critérios revisados. É recomendável verificar se há processos pendentes de análise de indulto, progressão de regime ou revisão de prisão preventiva, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade. A atuação proativa pode acelerar a obtenção de benefícios e evitar prisões prolongadas indevidamente.

O CNJ não detalhou o cronograma de novos mutirões, mas a continuidade da política é esperada, uma vez que integra o plano Pena Justa. Advogados devem acompanhar as publicações oficiais do Conselho e dos tribunais locais para identificar novas oportunidades. A medida também reforça a importância do controle de prazos e da revisão periódica das prisões, conforme determina o Código de Processo Penal.

Com informações da assessoria de imprensa do CNJ.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
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