O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7.779 e 7.790, que questionam pontos centrais da reforma tributária. As ações têm imenso potencial de inaugurar uma fase de contencioso constitucional da reforma, conforme apontam especialistas. Em pauta, temas como a proibição do retrocesso, a isonomia tributária e os limites para desonerações fiscais.
Proibição do retrocesso e isonomia em debate
As ADIs 7.779 e 7.790 trazem à tona a necessidade de apreciação da proibição do retrocesso, bem como da tutela jurisdicional adequada para correção de situações que envolvam a isonomia. O STF deverá definir se a reforma tributária, ao alterar regimes especiais, viola princípios constitucionais que protegem contribuintes contra mudanças que reduzam benefícios já consolidados. A discussão envolve também a garantia de tratamento igualitário entre os contribuintes.
Desonerações fiscais e a lógica da reforma
Outro ponto central é o espaço de conformação de desonerações fiscais diante da lógica da reforma. A Constituição Federal reserva a escolha das situações de incentivos e benefícios fiscais com diferentes níveis de densidade normativa. Isso significa que o STF deverá estabelecer até que ponto o legislador pode criar ou manter desonerações sem comprometer a estrutura do novo sistema tributário. A decisão terá impacto direto sobre a alíquota padrão do imposto sobre consumo.
Risco jurídico versus gasto tributário
Um dos argumentos apresentados nas ações é que o gasto tributário que se buscava evitar talvez não justificasse o risco jurídico da alteração de seu regime tributário. Em outras palavras, a mudança na tributação de determinados setores pode gerar mais insegurança jurídica do que economia fiscal. O STF terá que ponderar se os benefícios esperados com a reforma compensam os potenciais litígios e a instabilidade para os contribuintes.
Alíquota padrão e participação popular
As ADIs também alertam que qualquer alargamento das desonerações fatalmente irá elevar a alíquota padrão para todos. Esse efeito colateral preocupa especialistas, pois pode aumentar a carga tributária sobre a maioria dos contribuintes. Por outro lado, a elevação da alíquota padrão convoca maior participação popular no debate tributário nacional, já que a população sentiria diretamente o impacto no bolso. O STF, ao julgar as ações, poderá influenciar o nível de engajamento da sociedade nas discussões sobre o sistema tributário.
O julgamento das ADIs 7.779 e 7.790 representa o primeiro grande teste constitucional da reforma tributária. A decisão do STF estabelecerá parâmetros importantes para a aplicação das novas regras e poderá abrir caminho para uma série de outras ações questionando a reforma. Advogados e contribuintes devem acompanhar atentamente os próximos passos do tribunal.
Fonte
Últimas publicações
Notícias15 de junho de 2026ADIs 7.779 e 7.790 inauguram contencioso constitucional da reforma tributária
Notícias15 de junho de 2026Equilíbrio contratual no novo Código Civil pode gerar litígio
Notícias15 de junho de 2026Ministério Público na recuperação extrajudicial: papel e limites
Notícias14 de junho de 2026Advogado pede condenação do próprio cliente e réu é considerado indefeso em SC

























