O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou que magistrados podem receber remuneração por palestras e possuir ações de empresas, desde que não atuem como sócio-dirigente.
O pronunciamento ocorre no momento em que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, discute a adoção da criação de um Código de Ética para o Supremo. Além disso, a declaração surge após críticas recentes à conduta de ministros envolvendo investigações sobre o Banco Master.
O que a lei permite aos juízes
A Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) somente impede que o magistrado seja sócio-dirigente de empresas. Isso significa que a posse de ações ou a participação em palestras remuneradas não são vedadas pela legislação específica da categoria.
A magistratura é a carreira pública com mais vedações de condutas, mas essas restrições não se estendem a todas as atividades econômicas. Por outro lado, existem regras claras sobre conflitos de interesse que devem ser observadas.
Principais pontos da Loman
- Proibição de atuar como sócio-dirigente de empresas
- Permissão para possuir ações de empresas
- Autorização para receber por palestras
- Observância obrigatória das regras sobre conflitos de interesse
Regras sobre impedimento e julgamentos
O magistrado não pode ter ligação com o processo que julga. Todos os magistrados, inclusive os magistrados desta Suprema Corte, não julgam nunca nenhum caso que tem ligação.
Essa é uma diretriz fundamental para garantir a imparcialidade das decisões judiciais. Em 2023, a Corte derrubou a alteração do Código de Processo Civil (CPC) que ampliou o impedimento de juízes.
O Supremo não liberou a participação de membros do tribunal nos julgamentos que envolvem escritórios de advocacia de parentes.
Contexto das declarações recentes
O pronunciamento de Moraes e Toffoli sobre a conduta de juízes ocorre no momento em que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, discute a adoção da criação de um Código de Ética para o Supremo.
No mês passado, os ministros foram criticados pela conduta envolvendo as investigações sobre o Banco Master. Essas críticas trouxeram à tona discussões sobre os limites éticos para membros do Judiciário.
A situação levou a questionamentos públicos sobre a atuação dos ministros.
Controvérsia envolvendo o Banco Master
Moraes negou ter participado de um encontro com o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, no primeiro semestre de 2025, na casa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O suposto encontro foi noticiado pelo Portal Metrópoles. O suposto encontro teria ocorrido em meio ao processo de tentativa de compra do Master pelo BRB.
Em nota à imprensa, Moraes classificou a reportagem como “falsa e mentirosa”.
Detalhes da controvérsia
- Encontro supostamente ocorreu na casa de Daniel Vorcaro
- Contexto: processo de tentativa de compra do Banco Master pelo BRB
- Moraes negou veementemente a participação
- Reportagem publicada pelo Portal Metrópoles
Relação anterior com o banco
Antes da liquidação do Master pelo Banco Central, o escritório de advocacia Barci de Moraes, que pertence à família do ministro, prestou serviços ao banco de Vorcaro.
Essa informação surgiu durante as investigações sobre as operações do Banco Master. A relação profissional anterior não configura, por si só, impedimento para atuação em casos relacionados.
No entanto, o episódio ilustra a complexidade das questões éticas que envolvem o Judiciário.
O debate sobre ética no STF
A discussão sobre um Código de Ética para o Supremo ganhou força após os recentes episódios envolvendo ministros. A proposta em análise busca estabelecer parâmetros mais claros para a conduta dos membros da Corte.
O tema é especialmente relevante considerando que a magistratura já possui diversas vedações de conduta. A criação de normas específicas para o STF poderia trazer maior transparência às atividades dos ministros.
Objetivos do Código de Ética
- Estabelecer parâmetros claros para conduta dos ministros
- Aumentar a transparência das atividades
- Responder às críticas recentes sobre conduta ética
- Complementar as vedações já existentes na magistratura
Limites do que se sabe até agora
As declarações de Alexandre de Moraes esclarecem aspectos específicos da legislação que rege a magistratura, mas não abordam todas as questões em debate.
A fonte não detalhou como seriam reguladas as palestras remuneradas ou a posse de ações por magistrados. Também não há informações sobre prazos para a conclusão da discussão sobre o Código de Ética.
O assunto continua em análise pelo Supremo Tribunal Federal.
Fonte
Últimas publicações
Notícias23 de abril de 2026STF reinicia julgamento sobre MP na liquidação coletiva
Notícias23 de abril de 2026Provimento 213/26 do CNJ define novo padrão de segurança da informação em cartórios
Notícias23 de abril de 2026Reforma da jornada de trabalho: riscos e impactos jurídicos
Notícias23 de abril de 2026Reforma do Código Civil pode custar R$ 184 bilhões por ano

























