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Missionária e crime organizado: vida dupla em presídios

Missionária e crime organizado: vida dupla em presídios

Uma investigação conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Mato Grosso revelou uma suposta vida dupla de uma missionária que atuava em presídios do estado. Rhavenna Barcelos de Almeida, que frequentava unidades prisionais para atividades religiosas, é apontada como peça central de um esquema que envolveria relacionamentos amorosos com lideranças do Comando Vermelho e lavagem de dinheiro. As conclusões constam de inquérito policial que resultou no indiciamento dela, de sua mãe Orminda de Almeida e de seu pai Nivaldo de Almeida.

Liderança do CV e vínculo afetivo

Um dos principais nomes citados no inquérito é Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman. Apontado pela polícia como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso, ele cumpria pena na mesma unidade prisional frequentada pela família durante as atividades religiosas. A investigação também concluiu que os dois tinham um relacionamento amoroso. De acordo com a polícia, a missionária viajava com frequência ao Rio de Janeiro, onde se encontrava com o traficante e participava de momentos de lazer financiados pelo grupo criminoso.

A proximidade entre a missionária e o preso chamou a atenção dos investigadores, que passaram a monitorar os passos da família.

Outras missionárias sob investigação

Além dela, outras mulheres que frequentavam os presídios como missionárias também passaram a ser investigadas. Segundo a Draco, algumas mantinham relacionamentos com traficantes e teriam mentido em depoimentos prestados à polícia, motivo pelo qual foram indiciadas por falso testemunho. A polícia não detalhou quantas mulheres foram indiciadas por esse crime, mas destacou que o padrão de conduta era semelhante ao de Rhavenna. A investigação sugere que o trabalho religioso era utilizado como fachada para facilitar o contato com detentos ligados ao crime organizado.

Ligação com fundador do CV em MT

A polícia também identificou uma ligação de Rhavenna Barcelos de Almeida com Renildo Silva Rios, apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso e preso há mais de duas décadas por crimes como homicídio, tráfico e organização criminosa. De acordo com o inquérito, os dois mantinham um relacionamento amoroso. A investigação aponta que o preso enviava presentes à investigada, incluindo joias e um veículo. Conversas obtidas pela polícia mostram que ela tinha conhecimento da posição de destaque ocupada por Renildo dentro da facção.

Os diálogos interceptados revelariam que a missionária estava ciente das atividades ilícitas do companheiro.

Indiciamento e denúncia do MP

Rhavenna Barcelos de Almeida, Orminda de Almeida e Nivaldo de Almeida foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o Ministério Público denunciou Rhavenna, Orminda e Renildo pelos mesmos crimes. A denúncia foi recebida pela Justiça, e o processo tramita em segredo de justiça. A fonte não detalhou a data exata do recebimento da denúncia nem o juízo responsável pelo caso. A acusação sustenta que os valores e bens recebidos por Rhavenna seriam provenientes de atividades do tráfico de drogas e da organização criminosa.

Defesas negam acusações

Em nota, a defesa de Rhavenna Barcelos de Almeida negou as acusações e afirmou que os fatos serão esclarecidos durante o processo. Já a defesa de Orminda de Almeida declarou que a investigada não tem qualquer participação em organização criminosa. Os advogados não apresentaram detalhes adicionais sobre as estratégias de defesa. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Renildo Silva Rios. O processo segue em andamento, e novas manifestações das partes são aguardadas.

Morte de Nivaldo de Almeida

Nesta semana, Nivaldo de Almeida morreu em consequência de um câncer. A informação foi confirmada pela defesa da família, que não divulgou a data exata do falecimento. Com a morte do investigado, a punibilidade em relação a ele deve ser extinta, conforme prevê o Código Penal. O processo prosseguirá em relação aos demais denunciados. A fonte não detalhou se haverá alguma medida em relação aos bens eventualmente ligados a Nivaldo.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
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