Uma mulher de Rondônia, identificada como Maria para proteger sua identidade, denunciou o namorado por transmissão intencional de HIV. O caso veio à tona após a prisão do acusado, Jean, em 10 de junho, e sua posterior condenação. Maria descreve o diagnóstico como “o momento mais triste e mais difícil da minha vida”.
Relacionamento começou em site de encontros
Maria e Jean se conheceram em um site de relacionamentos e rapidamente começaram a namorar. Ela conta que ele era gentil, agradável, estava sempre de bom humor e tinha muitas histórias para contar. A forte conexão fazia com que passassem muito tempo juntos. Mas o “paraíso” durou pouco.
Sintomas persistentes acenderam alerta
Os sintomas do vírus apareceram rapidamente: infecções que não passavam mesmo com uso de antibiótico, dores no corpo, vermelhidão, coceira, dor de cabeça e cansaço. “O Jean falou que ele poderia me prescrever o antibiótico, que não precisava contar pra ninguém da minha família que a infecção não havia passado, mas isso me acendeu uma pequena luz”, relata a vítima. Como os sintomas só aumentavam, a mulher decidiu fazer exames com a intenção de descartar infecções sexualmente transmissíveis.
Diagnóstico positivo e descoberta chocante
Para sua surpresa, veio o resultado positivo para HIV. “Ao me perguntarem o nome do meu antigo parceiro, correspondia ao do suspeito; se tratava da mesma pessoa. Eu era mais uma vítima do Jean”, relembra. O choque de descobrir que o homem com quem dividia a vida já era um alvo das autoridades transformou a dor em indignação.
Acusação de contaminação criminosa
“Além de eu estar com uma doença incurável, fui contaminada de forma intencional, ou seja, de forma criminosa, por uma pessoa que havia usufruído de toda intimidade da minha casa e família, e pessoa que conhecia todas as minhas comorbidades e problemas emocionais”, lamenta. “Quando fui infectada pelo Jean, ele não adoeceu somente a mim, ele adoeceu uma família inteira. Há um luto, ele atingiu todas as pessoas que me amam e estão ao meu lado”, complementa.
Denúncia aponta omissão de tratamento
A denúncia do MP-RO contra Jean aponta que ele tem conhecimento do próprio diagnóstico há cerca de 10 anos e optou por não aderir ao tratamento antirretroviral. A hipótese é que o homem não quis se tratar justamente para transmitir o vírus às pessoas com quem se relacionava. 🔎 O tratamento feito corretamente mantém a carga viral indetectável e impede a transmissão.
Busca por justiça e acolhimento
Em busca de assistência e justiça, Maria compareceu ao Navit no dia 28 de maio. O espaço, que funciona na sede do Ministério Público de Rondônia, é estruturado para oferecer um ambiente de acolhimento especializado, sigiloso e humanizado para vítimas de violência. “Estava doendo, mas eu iria fazer o que tivesse que fazer. Ele poderia enfrentar a impunidade de outras pessoas e de outras vítimas, mas da minha parte jamais ele terá impunidade”, afirma Maria sobre a decisão de buscar as autoridades.
Prisão e risco de novas vítimas
Os relatos da vítima foram fundamentais para a prisão de Jean no dia 10 de junho. Segundo o MP-RO, o pedido foi feito porque ficou evidente que, mesmo respondendo à primeira ação penal, o homem continuava se relacionando com outras mulheres e transmitindo o vírus. “Terminei o namoro com ele no dia 30 de abril e a prisão ocorreu somente em 10 de junho. Nesse lapso temporal, ele foi visto saindo com duas moças diferentes.
Não posso afirmar que eram namoradas, mas infelizmente ele teve tempo suficiente pra fazer novas vítimas”, alerta Maria.
Acusações e pedidos do MP-RO
O MP-RO acusou Jean por lesão corporal gravíssima e perigo de contágio de doença grave. Para duas das mulheres, ele também foi acusado de estupro. Diante da gravidade e da repetição sistemática dos crimes, o órgão pediu que o réu seja obrigado a arcar com todos os custos médicos e psicológicos das vítimas e que ressarça o Sistema Único de Saúde (SUS) pelos gastos gerados com os tratamentos.
Defesa alega tratamento e ausência de risco
Antes da condenação, a defesa de Jean prestou solidariedade às vítimas e afirmou ao g1 que o acusado realizava tratamento antirretroviral e acreditava não haver risco de transmissão sexual do HIV. Após a condenação, a reportagem voltou a procurar o advogado, que optou por não se pronunciar.
Especialista aponta desinformação e preconceito
De acordo com a infectologista Mariana Vasconcelos, o maior inimigo de quem convive com o vírus hoje não é a doença em si, mas a desinformação e o preconceito. Um peso que é sentido na pele por quem é diagnosticado.
Fonte
- www.direitonews.com.br
- Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros (fenaj.org.br)
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