Uma eleição histórica e polêmica
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita para presidir a Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Ela se torna a primeira mulher trans a assumir o cargo, em uma votação que gerou reações divergentes entre os parlamentares.
Em suas primeiras declarações, a deputada afirmou que pretende conduzir a gestão com diálogo e defesa dos direitos das mulheres. A escolha, no entanto, não foi unânime e expôs tensões sobre a representatividade no colegiado.
Composição da mesa diretora
Ao lado da nova presidente, a comissão elegeu sua mesa diretora para o biênio:
- 1ª vice-presidente: Laura Carneiro (PSD-RJ)
- 2ª vice-presidente: Delegada Adriana Accorsi (PT-GO)
- 3ª vice-presidente: Socorro Neri (PP-AC)
Todas as eleitas para os cargos de vice-presidência receberam 11 votos. Houve dez votos em branco para cada uma das posições, indicando uma parcela significativa de abstenção ou discordância.
As prioridades anunciadas pela nova gestão
A comissão terá uma agenda focada em temas considerados urgentes pela nova diretoria. Entre as prioridades anunciadas estão:
- Fiscalização da rede de proteção e das Casas da Mulher Brasileira
- Enfrentamento da violência política de gênero
- Promoção de políticas de saúde integral para as mulheres
A nova presidente destacou que a intenção é trabalhar de forma colaborativa, ouvindo especialistas e a sociedade civil. A implementação dessas metas dependerá do consenso entre os membros da comissão.
Críticas e resistência da oposição
Deputadas de oposição lamentaram a eleição de Erika Hilton, expressando descontentamento com o resultado da votação. Elas afirmaram que a comissão deveria ser presidida por uma mulher cisgênero.
As parlamentares também criticaram o que chamaram de “ideologização” da comissão. Sugeriram que a escolha da nova presidente desviaria o foco de questões consideradas prioritárias para as mulheres brasileiras.
Declarações de parlamentares da oposição
Chris Tonietto (PL-RJ) declarou: “Não podemos concordar com a entrega desta comissão, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, a uma pauta que desvirtua a própria essência feminina”.
Clarissa Tércio (PP-PE) reforçou essa posição, afirmando que a presidência da comissão deveria ser ocupada por uma “mulher de fato”. Para a deputada, a escolha representa um retrocesso para a pauta feminina.
Defesa do trabalho focado nas mulheres
Em resposta às críticas, parlamentares que apoiam a nova gestão buscaram destacar o compromisso com os direitos femininos.
A deputada Laura Carneiro, eleita 1ª vice-presidente, enfatizou: “Como vice-presidente, meu compromisso é trabalhar ao lado da presidência e de todas as colegas para que o nosso foco seja um só: o direito e a dignidade de cada mulher deste País”.
A deputada Erika Kokay (PT-DF) também se manifestou: “Nós não vamos aceitar que esta Casa seja palco para o ódio. Esta comissão trabalhará pela vida das mulheres, pela igualdade e, sobretudo, para que o Estado Brasileiro cumpra o seu papel de proteger quem está em vulnerabilidade”.
Os desafios à frente da nova presidente
A posse de Erika Hilton na presidência da Comissão dos Direitos da Mulher coloca em evidência debates sobre inclusão e representatividade no poder legislativo.
Seu mandato será observado de perto por movimentos sociais, que veem na eleição um símbolo de avanço na luta por direitos das pessoas trans. Ao mesmo tempo, a resistência de parte da oposição indica que a gestão enfrentará obstáculos políticos.
Agenda e próximos passos
A comissão terá a tarefa de equilibrar demandas históricas do movimento feminista com novas pautas relacionadas à diversidade de gênero. A nova presidente terá de demonstrar habilidade para conduzir os trabalhos de forma técnica e apartidária.
O próximo passo será a definição do calendário de atividades e a formação de grupos de trabalho para tratar dos temas prioritários. A fonte não detalhou prazos específicos para essas definições.
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