O Ministério Público de Santa Catarina apresentou recurso contra a absolvição da ex-vereadora Adriana, inocentada pelo Tribunal do Júri pela morte do marido, Sedinei, ocorrida em junho de 2025.
A decisão judicial, que aceitou a tese de legítima defesa após alegações de violência doméstica prolongada, agora será reavaliada por instâncias superiores. A ex-parlamentar permanece em liberdade enquanto o processo segue seu curso.
O caso, que chocou a pequena cidade de Paial, expõe debates complexos sobre autodefesa e violência familiar no sistema de justiça.
O crime e o contexto familiar
O homicídio aconteceu na madrugada do dia 20 de junho de 2025, dentro da casa da família, em Paial. A cidade tem cerca de 1,9 mil habitantes.
Sedinei foi atingido por um tiro enquanto dormia, no local onde o casal vivia com os dois filhos. A ex-vereadora, Adriana, estava sendo acusada de homicídio qualificado.
Reações da família da vítima
A mãe da vítima, Joraci Salete Wawcziniak, afirmou que ainda tenta entender o que aconteceu. Ela revelou o impacto duradouro da tragédia.
Em contraste, a irmã de Sedinei, Inês Wawczinak, declarou anteriormente que o casal aparentava ter uma convivência normal. Ela descreveu o irmão como trabalhador e dedicado à lida com o gado.
Essas perspectivas distintas ilustram as narrativas conflitantes que cercam o episódio.
A tese de defesa apresentada
Os advogados de Adriana sustentaram que ela foi vítima de violência doméstica ao longo dos 15 anos de relacionamento com Sedinei.
Argumentos da legítima defesa
A defesa alegou que Adriana agiu para proteger a própria vida e a dos filhos no momento do crime. A fundamentação jurídica foi baseada na legítima defesa.
A advogada Ana Paula Signori afirmou que todas as provas foram analisadas com cuidado pelos jurados, que acabaram por acatar a tese apresentada.
O advogado Cleiber Renato Cagliari destacou que a decisão não representa comemoração, mas um reconhecimento jurídico de circunstâncias extremas.
Ele afirmou que uma eventual condenação significaria punir ‘a única sobrevivente’ de um contexto de violência, enfatizando o caráter defensivo alegado.
Essa linha argumentativa foi crucial para o desfecho inicial do julgamento.
O caminho até a absolvição
A ex-vereadora estava presa preventivamente desde o crime, aguardando julgamento em custódia.
Liberdade após o veredicto
Após a absolvição pelo Tribunal do Júri, Adriana foi colocada em liberdade. Isso encerrou um período de detenção que acompanhou todo o processo investigativo e judicial.
A tese de legítima defesa foi aceita pelos jurados, resultando na inocência formal da acusada perante a lei.
No entanto, o advogado Cleiber Renato Cagliari ressaltou que o veredicto traz alívio jurídico, mas não apaga as marcas deixadas pelos anos de suposta agressão.
A decisão reflete uma avaliação minuciosa das alegações de violência doméstica, conforme destacado pela defesa. Esse capítulo judicial, porém, ainda não está totalmente encerrado.
A reação do Ministério Público
O Ministério Público não concordou com o resultado do julgamento e apresentou recurso, buscando reverter a absolvição concedida pelo júri.
Status atual da decisão
Até a decisão do Tribunal de Justiça sobre o mérito do recurso, a absolvição continua válida. Isso mantém Adriana em liberdade.
O Tribunal de Justiça deverá analisar se houve algum erro na decisão do júri, revisando os argumentos e as provas do caso.
Caso o recurso seja aceito, um novo julgamento pode ser marcado, reabrindo o processo judicial.
Essa movimentação legal demonstra a divergência entre a acusação e a defesa sobre a interpretação dos fatos. A resposta da Justiça catarinense a esse apelo definirá os próximos passos nesta história.
Os próximos passos do processo
Com o recurso do Ministério Público em tramitação, o caso segue para análise do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Análise pelos desembargadores
Os desembargadores avaliarão a legalidade e a fundamentação da decisão do júri. Eles não realizarão um novo julgamento de mérito imediato.
Se constatarem vícios processuais ou interpretativos, poderão determinar a realização de um novo júri. Isso reiniciaria o processo penal.
Enquanto isso, a absolvição permanece em vigor, garantindo a liberdade da ex-vereadora.
A família da vítima aguarda o desfecho dessa etapa, na expectativa de que suas dúvidas sejam esclarecidas. O sistema judiciário, portanto, ainda tem a palavra final sobre este episódio que dividiu opiniões.
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