Senado aprova PEC do Marco Temporal
O Senado Federal aprovou a Proposta de Emenda à Constituição 48/2023 nesta terça-feira (9/12). A proposta inclui a tese do Marco Temporal na Constituição para demarcação de terras indígenas.
O texto segue agora para análise na Câmara dos Deputados, em mais uma etapa do processo legislativo.
A votação ocorreu em um momento de tensão institucional. O texto foi levado ao plenário do Senado um dia antes de o Supremo Tribunal Federal julgar ações que questionam a constitucionalidade da Lei do Marco Temporal (Lei 14.701/2023).
Essa coincidência de datas amplifica o debate sobre o tema.
Em 2023, a Corte rejeitou a tese do Marco Temporal, pontuando a sua inconstitucionalidade. A decisão do Supremo estabeleceu um precedente importante sobre o direito à terra das comunidades indígenas.
A aprovação da PEC pelo Senado representa, portanto, uma resposta do Legislativo ao posicionamento do Judiciário.
Conteúdo da proposta aprovada
A proposta é de autoria do senador Dr. Hiran (PP-RR). Ela estabelece que as comunidades indígenas terão direito à demarcação de territórios que estavam ocupados na data da promulgação da Carta Magna, em 5 de outubro de 1988.
Esse é o conceito central da tese do Marco Temporal.
Em nota, o parlamentar afirmou que “a Casa não poderia se omitir diante de um tema basilar para a segurança jurídica e para a pacificação entre campo e cidade”. A declaração reflete o argumento de que a medida busca estabilidade nas relações fundiárias.
Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição, o texto precisou ser votado em dois turnos. Esse procedimento é exigido para mudanças na Constituição Federal, garantindo um debate mais aprofundado.
A tramitação em duas etapas visa assegurar maior reflexão sobre alterações constitucionais.
Resultado da votação no plenário
Primeiro turno
Houve 52 votos favoráveis contra 14 contrários. A ampla maioria demonstrou apoio inicial à proposta.
Segundo turno
Foram 52 votos a favor e 15 contra, mantendo praticamente o mesmo resultado.
A consistência nos números entre os dois turnos indica uma posição consolidada entre os senadores. A margem de votos revela um cenário de clara predominância da base governista ou dos defensores da proposta.
O processo seguiu o rito constitucional estabelecido para emendas.
Com a aprovação no Senado, a PEC avança para a próxima fase. O texto segue para análise na Câmara dos Deputados, onde passará por nova discussão e votação.
A tramitação continuará acompanhada de perto pelos diferentes setores envolvidos.
Contexto de tensão com o Supremo
A votação ocorreu em meio a um cenário de divergência entre os Poderes. O Senado deliberou sobre o tema um dia antes de o STF julgar ações relacionadas à Lei do Marco Temporal.
Esse timing amplifica a percepção de embate institucional.
Em 2023, o Supremo já havia se posicionado contra a tese do Marco Temporal, considerando-a inconstitucional. A decisão da Corte representou uma vitória para movimentos indígenas e defensores de direitos territoriais.
Agora, o Legislativo busca alterar a Constituição para incluir exatamente o que o Judiciário rejeitou.
Essa dinâmica cria um cenário complexo para o sistema político. Se aprovada pela Câmara e promulgada, a PEC poderá entrar em conflito com decisões judiciais anteriores.
O desfecho dessa disputa dependerá dos próximos passos em ambas as casas legislativas e no próprio STF.
Próximos passos da tramitação
Na Câmara dos Deputados
O texto da Proposta de Emenda à Constituição 48/2023 segue para análise na Câmara dos Deputados. Lá, passará por comissões e votação em plenário, também em dois turnos.
O processo na Câmara tende a ser tão intenso quanto foi no Senado.
No Supremo Tribunal Federal
Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal deve julgar as ações que questionam a constitucionalidade da Lei do Marco Temporal. O resultado desse julgamento poderá influenciar o debate na Câmara.
A interação entre os dois processos será crucial para o desfecho final.
A proposta estabelece que as comunidades indígenas terão direito à demarcação de territórios ocupados em 5 de outubro de 1988. Esse marco divide opiniões entre ruralistas, indígenas, ambientalistas e juristas.
O tema continua no centro das discussões sobre desenvolvimento e direitos fundamentais no Brasil.
Fonte
Últimas publicações
Notícias23 de abril de 2026STF julga indenização a fotógrafo cego por ação da PM em SP
Notícias23 de abril de 2026STF reinicia julgamento sobre MP na liquidação coletiva
Notícias23 de abril de 2026Provimento 213/26 do CNJ define novo padrão de segurança da informação em cartórios
Notícias23 de abril de 2026Reforma da jornada de trabalho: riscos e impactos jurídicos

























