O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou aeronaves de empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para viajar à propriedade rural Tayayá. A informação vem de documentos obtidos pela reportagem.
Os registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) apontam para ao menos seis voos entre fevereiro e outubro de 2025.
Toffoli e Vorcaro foram sócios no empreendimento Tayayá até o ano passado. A sociedade ocorreu em meio a um processo que levou o ministro a deixar a relatoria de uma investigação sobre fundos do Banco Master.
Detalhes das viagens documentadas
Os registros da Anac mostram dez entradas de Toffoli no terminal executivo do aeroporto de Brasília ao longo de 2025. O cruzamento com dados do Decea permitiu identificar o avião utilizado pelo ministro em seis ocasiões.
Voos específicos e padrões
- Em cinco casos, a aeronave pertencia a empresários.
- Um dos voos partiu às 10h25 do dia 17 de junho, com destino a Ourinhos (SP). Toffoli chegou ao terminal às 10h.
- Diárias pagas a seguranças do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo confirmam que um ministro do STF estava na região naquela data.
Duas entradas no terminal executivo de Brasília ocorreram em horários próximos à decolagem de um avião da Petras Participações (prefixo PS-RBR). A empresa tem entre seus sócios o atual dono do Tayayá, Paulo Humberto Barbosa.
O avião PR-SAD é o mesmo que, segundo o cruzamento de dados, levou o ministro Alexandre de Moraes para São Paulo em três ocasiões. Essas informações reforçam um padrão de uso de aeronaves privadas para deslocamentos.
Conexão com Daniel Vorcaro e empresas aéreas
Entre fevereiro e outubro de 2025, Toffoli viajou em seis voos operados por cinco empresas ligadas ao dono do Banco Master. Todos tiveram partida de Brasília.
Empresas envolvidas
- Uma delas é a Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo mantida pelo fundo Patrimonial Blue.
- Até setembro do ano passado, Vorcaro era um de seus sócios diretos.
- A casa ocupada por Vorcaro em Brasília pertence ao mesmo grupo empresarial.
A Prime informou que não divulga dados sobre usuários de suas aeronaves. A defesa de Daniel Vorcaro não quis se pronunciar sobre o assunto.
A reportagem procurou Toffoli nesta quarta-feira, 1º, mas não houve resposta do ministro. A falta de posicionamento deixa em aberto as circunstâncias exatas das viagens.
Histórico de parcerias e contexto investigativo
Toffoli e Fabiano Zettel foram sócios no Tayayá até o ano passado. Tinham cotas no empreendimento através da Maridt Participações (do ministro) e do fundo Arleen (de Zettel).
Investigações anteriores
- A Folha revelou em janeiro que empresas da família Toffoli foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos de investimentos do Banco Master.
- A informação desencadeou o processo que culminou com a saída do ministro da relatoria da investigação no STF, em fevereiro.
Esse episódio antecedeu as viagens documentadas em 2025. A sequência levanta dúvidas sobre a continuidade de relações empresariais após a abertura de processos.
Lacunas nos dados disponíveis
Os documentos não detalham o propósito específico de cada viagem ao Tayayá. Embora horários de entrada e decolagem coincidam, a fonte não esclarece:
- Se Toffoli era o único passageiro.
- Se havia outros ocupantes nas aeronaves.
- Informações sobre custos ou acordos formais para o uso dos aviões.
Em contraste com a precisão dos registros de voo, a reportagem não obteve acesso a comunicados oficiais que expliquem a natureza das viagens.
A Prime Aviation manteve sua política de sigilo. As defesas envolvidas optaram pelo silêncio. Essa ausência de pronunciamentos dificulta uma análise completa das circunstâncias.
Contexto das investigações e relações empresariais
A revelação sobre empresas da família Toffoli e fundos do Banco Master ocorreu meses antes das viagens documentadas. O caso levou à mudança na relatoria no Supremo – movimento incomum na corte.
As novas informações sobre deslocamentos aéreos reacendem o debate sobre a separação entre atividades privadas e funções públicas de membros do Judiciário.
A sociedade no Tayayá já havia sido desfeita quando os voos ocorreram. Isso indica que, embora o vínculo direto como sócios tenha cessado, conexões por meio de empresas aéreas permaneceram.
A situação ilustra a complexidade de rastrear relações em redes empresariais amplas.
Perguntas sem resposta e conclusão
A reportagem buscou esclarecimentos junto ao ministro Toffoli e à defesa de Vorcaro, mas não obteve retorno. Sem uma versão oficial, as informações ficam restritas aos dados de órgãos públicos.
Lacunas específicas
- Não há detalhes sobre possíveis autorizações ou quebras de protocolo no uso de aeronaves privadas.
- A fonte não especificou se houve pagamento pelas viagens ou se foram oferecidas como cortesia.
Essas lacunas impedem uma conclusão definitiva sobre a regularidade dos voos. O caso segue em aberto, com documentos que apontam para um padrão de deslocamentos, mas sem explicações formais das partes envolvidas.
A ausência de pronunciamentos mantém o tema no campo das indagações, à espera de possíveis esclarecimentos futuros.
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