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CNJ apura falas de desembargadores sobre pensão

CNJ apura falas de desembargadores sobre pensão

CNJ abre procedimento para apurar declarações de desembargadores

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) iniciou um procedimento administrativo para apurar declarações feitas por desembargadores durante julgamento no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

O caso envolve um recurso sobre pensão marital. Um Pedido de Providências (PP) de Ofício foi formalizado em 26 de março.

O TJ-BA tem prazo de cinco dias para apresentar respostas ao órgão de controle do Judiciário.

Contexto da apuração do CNJ

A medida ocorre em um cenário de maior escrutínio sobre práticas judiciais, especialmente em casos que envolvem questões de gênero.

O CNJ busca verificar a adequação das condutas aos princípios éticos e legais da magistratura brasileira.

Declarações polêmicas do desembargador

No centro da controvérsia estão falas do desembargador José Reginaldo Costa Rodrigues Nogueira durante o julgamento.

Ele se posicionou contra o valor de seis salários mínimos (R$ 9.108) estipulado para a pensão marital.

Falas específicas que geraram reação

O magistrado afirmou que, com esse valor, a beneficiária “poderia ficar ociosa”.

Para ilustrar seu ponto, declarou: “Talvez seja o salário do prefeito de Guanambi. No interior, se a gente procura uma diarista, não encontra. Ninguém quer mais trabalhar”.

Essas afirmações foram registradas nos autos do processo e posteriormente tornadas públicas.

Histórico da mulher no centro do caso

A mulher envolvida no processo tem uma trajetória marcada por limitações:

  • Saiu de casa na adolescência para se casar
  • Foi impedida de trabalhar pelo ex-companheiro por dez anos
  • Sofreu agressões do ex-parceiro
  • Tem uma filha de cinco anos do relacionamento

Atualmente, ela mora de favor na casa de amigos em Guanambi e trabalha como vendedora e maquiadora.

Detalhes do processo de pensão marital

Decisão inicial

A primeira decisão judicial estabeleceu que ela receberia um salário mínimo durante um ano.

O objetivo era permitir sua reinserção no mercado de trabalho.

Recurso para ampliação

A mulher entrou com recurso alegando que não conseguiu se estabelecer profissionalmente no prazo estabelecido.

Ela argumenta que suas atividades atuais não garantem estabilidade financeira suficiente para sua subsistência e a da filha.

Contestações dentro do tribunal baiano

As declarações do desembargador foram contestadas por outros integrantes da câmara julgadora.

Perspectiva de gênero

Uma magistrada presente afirmou: “A perspectiva de gênero é obrigatória. Nós temos que analisar protegendo desigualmente os desiguais”.

Outro desembargador ressaltou o histórico de violência e o impacto psicológico enfrentado pela mulher.

Próximos passos da apuração

Com o Pedido de Providências em andamento, o CNJ analisará as respostas do TJ-BA e decidirá sobre medidas adicionais.

O procedimento pode resultar em:

  • Arquivamento do caso
  • Aplicação de sanções administrativas

Paralelamente, o processo de pensão marital continua seu curso normal na Justiça baiana.

Repercussão e importância do caso

Este caso reacende o debate sobre como o Poder Judiciário lida com questões de gênero e desigualdade social.

A apuração do CNJ e o desfecho do processo judicial podem estabelecer precedentes importantes para situações semelhantes em todo o país.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
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