Por Jairo Glikson –
O Carnaval brasileiro, hoje exaltado como festa popular, tem raízes profundamente políticas e ideológicas. Sua institucionalização como espetáculo nacional ocorreu durante o governo de Getúlio Vargas, na década de 1930, quando o ditador buscava consolidar o Estado Novo.
Em 1937, Vargas não apenas centralizou o poder e suprimiu liberdades, mas também transformou o Carnaval em ferramenta de propaganda estatal, enquadrando-o no projeto de Panem et Circenses (pão e circo) para o povo. Nesse mesmo período, em um gesto simbólico de autoritarismo, queimava as bandeiras dos estados em praça pública, reforçando a ideia de um Brasil unificado sob sua autoridade, eliminando identidades regionais e impondo um nacionalismo artificial.
A festa, portanto, não nasceu como mera expressão cultural espontânea, mas sim como instrumento de manipulação política. Vargas, inspirado em práticas fascistas europeias, utilizou o Carnaval como meio de distração das massas, enquanto consolidava seu poder. A estratégia é comparável às ações de Mussolini na Itália e de Hitler na Alemanha, que também se valeram de grandes eventos populares e símbolos nacionais para fortalecer regimes autoritários e sufocar a oposição.
Entre as medidas autoritárias de Vargas, destaca-se a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1943. Embora apresentada como conquista social, foi também mecanismo de controle estatal sobre sindicatos e trabalhadores, restringindo sua autonomia e subordinando-os ao poder central. Outras decisões, como a censura à imprensa e a perseguição a opositores, reforçam o caráter ditatorial de seu governo.
A semelhança com práticas atuais é perturbadora.
O governo do Partido dos Trabalhadores (PT) repete padrões de centralização de poder, como a tentativa de unificar e controlar as polícias, enfraquecendo a autonomia dos estados. A eliminação da oposição política, com brasileiros exilados e perseguidos, ecoa os tempos de Vargas. Além disso, o uso recorrente da palavra “soberania” em discursos oficiais revela a mesma estratégia de inflar o nacionalismo como ferramenta de legitimação política, mascarando a concentração de poder e o cerceamento da pluralidade democrática.
O Carnaval, nesse contexto histórico e político, não pode ser visto apenas como festa popular. Ele é o símbolo real do fascismo, expressão de um projeto autoritário que se perpetua em diferentes formas ao longo da história brasileira. A memória das bandeiras queimadas, da supressão das liberdades e da manipulação cultural deve servir de alerta.
Quando o espetáculo se torna instrumento de poder, a democracia é a primeira vítima.

Dr. Jairo Glikson
Advogado civilista há mais de 20 anos, com atuação especializada em contencioso e litigância cível. Possui também uma trajetória marcada pela vida pública — foi candidato a vice-governador de São Paulo e a vice-prefeito da capital por duas vezes. É membro atuante de conselhos e associações de bairro.
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- O Movimento Advocacia Independente (MAI) é uma associação privada sediada em São Paulo, Brasil. Seu foco principal é a defesa de direitos sociais, atuando como uma organização voltada para a advocacia e questões jurídicas.
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