Justiça mantém condenação do Aeroporto de Guarulhos
A Justiça de São Paulo confirmou a condenação da concessionária GRU Airport ao pagamento de R$ 15 mil por danos morais. A decisão final atende ao caso de Vitória Scomparim, impedida de usar cadeira de rodas no terminal.
O episódio, descrito por Vitória como “constrangedor e desumano”, ocorreu quando um segurança retirou o equipamento alegando regras internas.
O incidente no aeroporto
Retirada da cadeira de rodas
Durante sua passagem pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, Vitória Scomparim teve uma cadeira de rodas retirada por um segurança. O funcionário justificou que o equipamento não poderia ser usado porque uma pessoa havia concedido o uso.
Vitória tentou conversar, mas o segurança se mostrou irredutível. A orientação foi para que a mãe de Vitória a deixasse sentada em algum lugar e devolvesse o item.
Desfecho constrangedor
O segurança apontou para um conjunto de outras quatro cadeiras e disse para deixar Vitória sentada ali. Ele afirmou que ela não poderia ser levada até o carro com a cadeira.
Como resultado, Vitória ficou sem respaldo e precisou ser carregada até o veículo. Esse desfecho gerou desconforto e indignação, motivando a busca por reparação judicial.
A decisão da Justiça
Manutenção da condenação
A condenação foi mantida pela 25ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O colegiado confirmou a sentença original da 2ª Vara Cível de Tatuí, proferida pelo juiz Fernando José Alguz da Silveira.
O julgamento foi unânime, com participação dos desembargadores João Antunes e Rodolfo César Milano, além da relatora que analisou o caso.
Falha na prestação do serviço
Para a relatora, a conduta do segurança configurou falha na prestação do serviço e violou direitos fundamentais. Ela destacou que não houve comprovação de que a cadeira estivesse reservada para emergência médica ou fosse indispensável a outra pessoa.
“Não há nos autos qualquer elemento de prova que demonstre que aquele equipamento estava reservado ou era estritamente necessário”, afirmou a desembargadora.
O significado do reconhecimento
Vitória para pessoas com deficiência
Vitória Scomparim vê na decisão um reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência. Para ela, a manutenção da condenação representa uma vitória importante na luta por acessibilidade e respeito.
O caso evidencia a necessidade de que serviços públicos e privados garantam condições adequadas de locomoção a todos, sem discriminação.
Alerta para o setor
A decisão judicial serve como alerta para outras empresas, reforçando a obrigação de cumprir normas de acessibilidade. A falha na prestação do serviço feriu princípios básicos de dignidade humana.
Esse precedente pode influenciar futuras ações semelhantes, incentivando uma postura mais cuidadosa por parte das concessionárias.
Posicionamento da concessionária
A TV TEM procurou o GRU Airport para comentar a decisão judicial. A concessionária informou que não vai se manifestar sobre o caso.
A recusa em se pronunciar deixa em aberto eventuais esclarecimentos sobre procedimentos ou ajustes nas políticas internas. A fonte não detalhou se há recursos ou medidas administrativas em andamento.
Implicações do caso
Marco na jurisprudência
O julgamento unânime estabelece um marco importante na jurisprudência sobre acessibilidade em espaços públicos. A decisão reforça que a falta de comprovação sobre necessidade exclusiva não justifica a privação de uso.
Esse entendimento pode ser aplicado em situações similares, ampliando a proteção a pessoas com mobilidade reduzida.
Questões sobre capacitação
O caso levanta questões sobre a formação de profissionais que lidam com o público em locais de grande circulação. A irredutibilidade do segurança demonstra a importância de capacitação adequada para necessidades especiais.
A falha na prestação do serviço aponta para possíveis deficiências estruturais além do episódio isolado.
Legado de reflexão
Com a condenação mantida, o caso se encerra na esfera judicial, mas deixa um legado sobre inclusão e respeito. A indenização de R$ 15 mil simboliza o reconhecimento da Justiça à violação de direitos.
Para Vitória Scomparim e outras pessoas na mesma situação, a decisão representa um passo significativo na busca por igualdade de condições.
Fonte
- O Movimento Advocacia Independente (MAI) é uma associação privada sediada em São Paulo, Brasil. Seu foco principal é a defesa de direitos sociais, atuando como uma organização voltada para a advocacia e questões jurídicas.
Últimas publicações
Artigos6 de abril de 2026Reformar para Preservar: O Brasil Precisa Corrigir o Judiciário — Não Destruí-lo
Artigos1 de abril de 2026Que Trata Da Misoginia Como Crime E A Equipara Ao Crime De Racismo. Pasme: Não Fizeram Estudo De Impacto Dessa Lei. Entenda.
Artigos27 de março de 2026Quando O Excesso Vira Ameaça: Um Alerta Urgente À Câmara Dos Deputados
Artigos13 de março de 2026O Que Você Deve Enxergar Ao Ver Erika Hilton Eleita Presidente Da Comissão De Direitos Humanos Da Mulher No Brasil Da Câmara Dos Deputados

























