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STF limita multas tributárias, mas risco de efeito confiscatório persiste

STF limita multas tributárias, mas risco de efeito confiscatório persiste

STF estabelece limites para multas tributárias

O Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão que limita o valor das multas tributárias, estabelecendo parâmetros para evitar o efeito confiscatório. A fundamentação adotada pelo STF esteve orientada pela lógica de efeito preventivo e didático das sanções, bem como o compliance tributário. O tribunal determinou que o aplicador deve, sempre que possível, estimar qual seria a carga tributária da operação, para observar o limite de 60% do tributo.

No entanto, a decisão não resolveu todas as controvérsias. Uma primeira crítica é que a aplicação do limite de 20% do valor da transação subjacente pode se mostrar elevadíssimo, em muitos casos superando até mesmo o próprio tributo devido. Isso significa que, em operações de alto valor, a multa pode ser desproporcional, gerando um efeito confiscatório indireto.

Subjetividade na aplicação das penalidades

O acórdão definiu que os aplicadores das penalidades poderão se utilizar de parâmetros abstratos e subjetivos de agravantes e atenuantes para verificar o cabimento das sanções nos casos concretos. Uma segunda crítica está na porta que se abre para o aplicador da sanção, não deixando claro exatamente quem seria esse agente e afastando a certeza da lei por uma avaliação subjetiva e casuística.

Deu-se um incrível poder para esse aplicador para definir o quão reprovável é a conduta do contribuinte, podendo aumentar ou diminuir uma penalidade prevista em lei. Essa orientação possui um vício técnico profundo, pois confere força sancionatória a atos administrativos unilaterais que, não raras vezes, refletem apenas a visão restritiva do órgão autuador e contrariam a jurisprudência consolidada dos tribunais superiores.

Assimetria entre Receita e contribuinte

A dinâmica adotada pelo Supremo acaba por reforçar a assimetria entre Receita Federal e contribuinte na relação tributária. O direito do contribuinte de ver suas atenuantes reconhecidas, como a comprovação de boa-fé e o histórico limpo, pode continuar refém da morosidade legislativa e do longo desgaste das vias judiciais. Assim, a decisão, embora estabeleça limites, não equilibra a relação entre fisco e contribuinte.

Princípio da consunção é validado

O Supremo validou a aplicação do princípio da consunção, garantindo que o descumprimento do dever instrumental seja absorvido pela infração principal de falta de recolhimento, vedando o acúmulo de penalidades sobre um mesmo fato. Esse ponto é positivo para os contribuintes, pois evita a dupla punição. Contudo, trata-se de um precedente relevante, mas que não soluciona definitivamente a questão nem responde claramente quais são os limites do chamado princípio do não-confisco em matéria de sanções tributárias.

Insegurança jurídica persiste

Ficamos com a clareza de que esse princípio pode ser mitigado, em prol da busca da conformidade tributária, sem que isso traga, necessariamente, mais segurança para os contribuintes. A decisão do STF, embora represente um avanço ao limitar multas, deixa margem para interpretações subjetivas e não elimina o risco de efeito confiscatório. Advogados e contribuintes devem ficar atentos à aplicação prática desses parâmetros, que ainda podem gerar litígios.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
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