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Áudios citam propina de R$ 33 milhões para policiais de SP

Áudios citam propina de R$ 33 milhões para policiais de SP

Operação Bazzar prende suspeitos de corrupção sistêmica

A Polícia Federal, o Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo realizaram, nesta quinta-feira (5), a Operação Bazzar. A ação resultou na prisão de pessoas suspeitas de integrarem um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro.

O esquema criminoso ocorria dentro de departamentos estratégicos da Polícia Civil paulista, conforme apontam as investigações.

Medidas judiciais autorizadas

Entre as medidas autorizadas pela Justiça estão:

  • 11 mandados de prisões preventivas
  • 23 mandados de busca e apreensão
  • Bloqueio de bens e valores dos investigados

A operação marca um esforço conjunto para desarticular uma rede que, segundo as autoridades, transformou delegacias em centros de negociação para garantir impunidade.

O foco da investigação recai sobre a atuação de policiais que supostamente usavam sua posição para extorquir dinheiro em troca de arquivar processos.

Estrutura e participantes do esquema criminoso

A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, identificou a participação de policiais do Departamento de Investigações Criminais (Deic) e do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

Além de policiais, advogados e operadores financeiros também participavam do esquema criminoso, de acordo com a Polícia Federal.

Policiais civis presos na operação

  • José Eduardo da Silva (delegado do 35º DP)
  • Roldnei Eduardo dos Reis Baptista (investigador do DPPC que atua na 1ª Delegacia de Combate à Corrupção)
  • Rogério Coichev Teixeira (investigador do Serviço Aerotático)
  • Ciro Borges Magalhães Ferraz (escrivão no 35º DP)

Outros investigados detidos

  • Meire Bonfim da Silva Poza (doleira)
  • Cléber Azevedo dos Santos
  • Robson Martins de Souza
  • Antônio Carlos Ubaldo Júnior
  • Marlon Antonio Fontana (advogado)

A diversidade de perfis entre os suspeitos indica uma rede complexa, que envolvia desde agentes da lei até profissionais do direito e do setor financeiro.

Métodos de extorsão e locais das negociações

As extorsões cometidas pelos agentes contra os investigados ocorriam no hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte, e também no 16º Distrito Policial (DP), Vila Clementino.

Alguns dos policiais de lá foram atuar no 35º DP, Jabaquara, onde a corrupção seguiu, demonstrando a mobilidade do esquema entre diferentes unidades policiais.

Modus operandi do esquema

De acordo com a Justiça, o grupo teria transformado delegacias especializadas em um centro de negociações para garantir a impunidade de criminosos.

Policiais pediam relatórios de inteligência financeira (RIFs) sobre potenciais alvos de cobrança de propina. A partir dos relatórios que recebiam, mandavam intimações e cobravam dinheiro para não dar andamento em investigações.

Doleiros que tomavam conhecimento de investigações ofereciam propina para que os trabalhos parassem. Esse ciclo de informações privilegiadas e pagamentos ilícitos criava um ambiente propício para a corrupção.

Valores milionários em propina revelados

Nos diálogos encontrados nos celulares apreendidos há menção a pagamentos fracionados de R$ 10 mil, R$ 40 mil, algo em torno de R$ 100 mil e R$ 700 mil para os policiais corruptos.

Citações de valores específicos

Um dos áudios apreendidos mostra um investigado dizendo: “Anota aí para mim que eu dei [R$] 100 mil pro Deic esses dias, eu não sei se você anotou …. e ontem foi mais [R$] 110 [mil]… são [R$] 220 mil que eu dei pro Deic aí, anota aí, tá?”.

Segundo uma mensagem de texto enviada por um alvo da operação, um delegado, referido como “Dr” – abreviação de “doutor” –, teria recebido mais de R$ 20 milhões.

Em outro áudio, um alvo comenta: “Tem como a gente falar com esse pessoal, pra…pra…para saber ‘que pé’ que está esse negócio? Que os cara pediram [R$] 5 milhões. Negócio…assim…absurdo…pra quem foi lá. E a gente precisava saber do problema”.

Esses valores, que em alguns casos poderiam somar até R$ 33 milhões conforme citado em contextos anteriores, ilustram a escala financeira do esquema.

Diálogos apreendidos expõem negociações

As conversas capturadas revelam a dinâmica das negociações ilícitas. Em uma troca de mensagens, um alvo afirmou: “O cara vai trazer aqui um inquérito para a gente ver que falaram que a gente tá fodido lá no 16º [DP]”.

Ele diz que um policial vinculado à delegacia queria cobrar propina para encerrar um inquérito, mostrando como os agentes usavam processos em andamento como moeda de troca.

Evidências do modus operandi

Esses diálogos fornecem um retrato vívido do modus operandi, onde investigados sentiam-se pressionados a pagar para evitar consequências legais.

A linguagem informal e direta usada nas mensagens sublinha a banalização da corrupção dentro do ambiente policial. Além disso, a menção a valores específicos e locais reforça a precisão das acusações.

A Operação Bazzar, portanto, não apenas prendeu suspeitos, mas também coletou evidências concretas que detalham o funcionamento do esquema. As investigações continuam, e as autoridades buscam esclarecer todos os aspectos dessa rede criminosa.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
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