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TJ-SC mantém condenação de advogada por R$ 25 mil

TJ-SC mantém condenação de advogada por R$ 25 mil

Decisão mantém condenação por apropriação indevida

A 3ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) manteve, por unanimidade, a condenação de uma advogada por apropriação indevida de R$ 25 mil. O caso envolve valores destinados a um acordo judicial que nunca foi formalizado, além de negligência em processo trabalhista que resultou na perda de um imóvel.

A decisão confirma sentença da 3ª Vara Cível de Joinville, que havia condenado solidariamente as rés ao pagamento de R$ 87,7 mil por danos materiais e R$ 10 mil para cada autor por danos morais.

Detalhes da condenação inicial

O juízo de primeira instância também fixou multa de 2% por litigância de má-fé e honorários de 15% sobre a condenação. Além disso, determinou a expedição de ofícios ao Ministério Público e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A relatora do recurso no TJ-SC afastou as preliminares de nulidade e prescrição apresentadas pela defesa, abrindo caminho para análise do mérito do caso.

Acordo parcial e responsabilidade solidária

Durante o processo de apelação, uma das rés firmou acordo com os autores, resultando na extinção do processo contra ela. No entanto, a transação com um devedor solidário não extingue a obrigação dos demais.

O valor pago pela corré será abatido da condenação total, permanecendo a apelante responsável solidariamente pelo saldo remanescente.

Negligência profissional e omissão grave

A relatora reconheceu violação clara dos deveres de diligência, lealdade e transparência previstos no Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994). Especificamente, identificou a apropriação do valor de R$ 25 mil entregue para um suposto acordo judicial que nunca foi protocolado.

Prova documental e manipulação

A prova do engodo está materializada em ata notarial, documento onde as rés manipulavam os autores sobre a iminência da ‘homologação’ do acordo. A fonte não detalhou o conteúdo específico deste documento.

Omissão em processo trabalhista

Além da apropriação indevida, a relatora constatou omissão grave na apresentação de defesa técnica em ação trabalhista. Essa negligência permitiu que o processo corresse à revelia por anos, resultando diretamente na execução e arrematação do imóvel dos autores.

A apelante somente agiu no feito trabalhista após a perda do bem, atitude considerada tardia e ineficaz para evitar o dano principal.

Teoria da perda de uma chance

A magistrada aplicou a teoria da perda de uma chance ao entender que a omissão suprimiu oportunidade real de discutir o débito ou evitar a constrição judicial. Essa fundamentação reforça a responsabilidade profissional da advogada pelos prejuízos sofridos pelos clientes.

A conduta foi considerada protelatória, justificando a manutenção da indenização por danos morais e da multa por litigância de má-fé.

Recurso rejeitado e responsabilidade mantida

No recurso apresentado ao TJ-SC, a advogada apelou alegando nulidades, prescrição e ausência de responsabilidade pelos fatos. A relatora, no entanto, reconheceu apenas a perda parcial do objeto do recurso devido ao acordo firmado com uma das partes.

Análise das alegações defensivas

Todas as alegações defensivas foram rejeitadas após análise detalhada das provas dos autos. O voto da relatora foi seguido por unanimidade pelos demais integrantes da 3ª Câmara Civil do TJ-SC, consolidando a decisão.

Interpretação jurídica da solidariedade

A manutenção da condenação solidária significa que, embora o valor pago pela corré seja abatido, a advogada apelante responde pelo saldo total não quitado. Essa interpretação segue o entendimento jurídico de que a transação com um devedor solidário não extingue a obrigação dos demais envolvidos.

Consequências da decisão judicial

A manutenção da condenação implica no cumprimento integral dos valores determinados na sentença de primeira instância, com os ajustes decorrentes do acordo parcial.

Valores da condenação

  • Danos materiais: R$ 87,7 mil (com abatimento do acordo parcial)
  • Danos morais: R$ 10 mil para cada autor
  • Multa por litigância de má-fé: 2%
  • Honorários: 15% sobre a condenação

Os R$ 25 mil apropriados indevidamente representam apenas parte dos danos materiais reconhecidos.

Caráter da decisão e possíveis recursos

A decisão do TJ-SC tem caráter terminativo na esfera estadual, podendo ainda ser submetida a recursos em instâncias superiores. No entanto, a unanimidade do colegiado e a fundamentação detalhada sugerem robustez na decisão.

Inovação jurídica e proteção ao cliente

A aplicação da teoria da perda de uma chance inova ao quantificar juridicamente o prejuízo causado pela omissão profissional específica. O caso ilustra como falhas éticas e técnicas podem gerar responsabilização civil significativa para profissionais do direito.

A combinação de apropriação indevida com negligência processual configura violação múltipla dos deveres profissionais. A sentença mantida pelo TJ-SC reforça a proteção jurídica aos clientes contra condutas irregulares de seus advogados.

Fonte

Assessoria de Comunicação MAI
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