Novas regras para alimentação do trabalhador
O governo federal publicou, em novembro deste ano, um decreto que atualiza as regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). A medida tem como objetivo principal beneficiar o consumidor final, trazendo mais transparência para a operação dos vales-refeição (VR) e vales-alimentação (VA).
Além disso, o texto legal busca incentivar a participação de pequenos comerciantes no sistema, ampliando as opções para quem utiliza os benefícios.
Principais mudanças do decreto
O Decreto 12.712/2025 estabelece mudanças concretas que impactam diretamente a relação entre estabelecimentos, operadoras e usuários. Entre as principais inovações estão:
- Teto de 3,6% na taxa cobrada dos comerciantes que aceitam os vales
- Prazo máximo de 15 dias para o repasse dos valores pagos com os benefícios
Essas alterações representam a fase final de um processo de modernização que o governo já estudava há mais de dois anos. A base legal para as mudanças foi estabelecida pela Lei 14.442/2022, que introduziu a permissão para os chamados arranjos abertos no setor.
Agora, o novo decreto detalha e implementa esse modelo, que promete transformar a dinâmica do mercado.
Do modelo fechado para o aberto
Para entender o impacto das novas regras, é necessário conhecer os dois modelos de operação que coexistem no setor.
Arranjo fechado: como funcionava
No arranjo fechado, a mesma companhia acumulava todas as atividades: desde a instituição do benefício até a emissão dos vales e o credenciamento dos estabelecimentos. Nesse sistema, apenas maquininhas próprias aceitavam uma determinada bandeira, limitando a concorrência e a liberdade de escolha.
Arranjo aberto: o novo modelo
Em contraste, o modelo aberto separa as funções entre diferentes empresas. Uma atua como instituidora do benefício, outra é responsável pela emissão do vale e uma terceira faz o credenciamento dos estabelecimentos comerciais.
Essa divisão permite maior interoperabilidade e reduz a concentração do mercado, criando um ambiente mais competitivo.
O novo decreto proibiu de vez o arranjo fechado para as grandes operações, estabelecendo um prazo para que as empresas se adaptem às novas regras. Com as alterações, o governo obriga todas as empresas a migrar para o arranjo aberto, democratizando o acesso ao sistema.
Essa transição deve promover uma maior diversidade de opções para os consumidores na ponta.
Impacto no varejo e nos consumidores
A mudança para o modelo aberto tem implicações significativas para o varejo brasileiro. De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), apenas quatro entidades operam no arranjo fechado atualmente.
A transição obrigatória deve, portanto, reconfigurar o cenário competitivo, permitindo que mais estabelecimentos participem do programa sem as restrições técnicas anteriores.
Expectativas do setor
O presidente da Abras, João Galassi, e o diretor executivo do Sonda Supermercados, Roberto Longo, que também é vice-presidente da associação, são algumas das vozes do setor que acompanham de perto as mudanças.
A expectativa é que a maior transparência e a limitação das taxas resultem em preços mais baixos para os consumidores, já que os custos operacionais dos comerciantes tendem a cair.
Benefícios para pequenos comerciantes
Além disso, o incentivo à entrada de pequenos comerciantes pode ampliar a rede de estabelecimentos que aceitam VR e VA, beneficiando especialmente trabalhadores em regiões com menor oferta.
O prazo de repasse de 15 dias também contribui para a saúde financeira desses negócios, garantindo que recebam rapidamente pelos serviços prestados. Essas medidas, em conjunto, buscam fortalecer o programa como um instrumento de inclusão e acesso à alimentação.
Adaptação e próximos passos
Com a publicação do decreto, as empresas do setor agora têm um período determinado para se adequar às novas regras. O processo de migração do modelo fechado para o aberto exigirá ajustes operacionais e tecnológicos por parte das operadoras.
Elas precisarão garantir a interoperabilidade entre diferentes sistemas. Para os estabelecimentos comerciais, a principal mudança será a possibilidade de aceitar múltiplas bandeiras sem a necessidade de equipamentos específicos.
Monitoramento e expectativas
O governo, por sua vez, monitorará a implementação das normas, que representam a consolidação de um debate iniciado há mais de dois anos. A expectativa é que, com a plena adoção do arranjo aberto, o PAT se torne mais eficiente e acessível.
O programa deve cumprir seu papel social de garantir alimentação adequada aos trabalhadores. O consumidor, na ponta, deve sentir os efeitos positivos na forma de mais opções e possivelmente melhores preços.
As novas regras marcam, portanto, um capítulo importante na história do programa, que completa décadas de existência. Ao modernizar sua operação, o decreto busca alinhar o PAT às demandas contemporâneas do mercado, mantendo seu foco no benefício ao trabalhador.
O sucesso da medida dependerá da colaboração entre todos os agentes envolvidos, desde as operadoras até os pequenos comerciantes.
Fonte
Últimas publicações
Artigos7 de março de 2026Banco Master: O Pior Dos Imundos No Brasil Em Ano Eleitoral
Notícias7 de março de 2026Sicário de Vorcaro morre em hospital de BH, diz advogado
Notícias7 de março de 2026Vorcaro pede ao STF inquérito por vazamento de diálogos com Moraes
Notícias7 de março de 2026Moraes critica mensagens apagadas por Débora do Batom em voto

























