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Os Efeitos Da Megaoperação No Rio De Janeiro

Por Marcos Túlio

O saldo foi de 121 mortos, sendo 4 policiais e 117 faccionados, na troca de tiros ocorrida na megaoperação realizada pela Polícia e o Governo do Estado do Rio de Janeiro no último dia 28.10.

Todas as agências de notícias divulgaram as cenas, fotos, depoimentos e apreensões de “uma cacetada” de fuzis — armas que nem mesmo as forças armadas brasileiras utilizam — tudo com a finalidade de cumprimento de mais de uma centena de mandados de prisão, bem como de busca e apreensão no morro do Alemão.

Passada mais de uma semana, a pergunta que fica é: quais os efeitos dessa incursão policial no Rio, no Brasil e no mundo?

O primeiro deles é que ficou demonstrado que, por mais desorganizado que pareça ser o Estado, ele é sempre mais forte do que qualquer ameaça de algum ou de muitos grupos armados. O Estado tem a possibilidade de utilizar um contingente bélico, tecnológico, logístico e financeiro extremamente poderoso para combater essas facções criminosas.

Para derrotar as incursões de contenção do Estado será preciso tremendamente muito mais do que aquilo que foi apresentado pelo Comando Vermelho nesse episódio do Alemão. E, olha que não participaram a Polícia Federal nem as Forças Armadas como apoio!

Mas — você pode perguntar — se é assim, por que o Estado não acaba de vez com esse tipo de criminalidade? É que o fato de o Estado ser poderoso, como eu disse, não significa que o crime não seja organizado. Ele é! E muito! Bélica e economicamente, a ponto de haver — isso é evidente para todos — infiltrações dele nos Poderes do Estado, inclusive em todas as suas esferas: municipal, estadual, distrital e federal.

Ou seja, o Estado ainda terá de “remar” muito no combate ao crime organizado.

Outro efeito é que, mesmo a contragosto, os “antiarmamentistas” têm motivo de sobra para comemorar, haja vista que a Polícia Civil do Rio informou que a Operação Contenção apreendeu 120 armas, sendo 93 fuzis — e nenhuma delas teria sido adquirida legalmente (UOL; 05 nov 25).

A consequência disso é que menos armas ilegais e de potência militar circularão pela cidade e não serão utilizadas como ferramentas pela facção.

Outra curiosidade é que, no debate entre aqueles que apoiam e os que condenam a operação, o tema “bala perdida” nem sequer foi ventilado — seja por moradores, ONGs, organizações de defesa dos direitos humanos ou coisa parecida.

A discussão é se a Polícia matou “inocentes” no confronto que ocorreu com os faccionados. Até o momento, com as investigações, perícias e identificações dos mortos, dos 117, somente dois tiveram como resultado pericial “inconclusivo”.

Dos demais, 115 foram identificados, e 95% deles tinham ligação direta com o Comando Vermelho, sendo que 62 eram de outros estados.

E, por último, a faccionada conhecida como “Japinha” não estava entre os identificados, porque nenhuma mulher foi morta ou atingida (Gazeta do Povo; 06 nov 25).

O que mais chamou a atenção após a operação foi o saldo político dos envolvidos.

O da Polícia — que subiu no conceito do brasileiro — foi o de não ser acusada como autora de “bala perdida”. E o pior para aqueles que rechaçam a instituição: o Brasil descobriu que o brasileiro, querendo ou não, por simpatia, por obrigação ou necessidade, gosta da Polícia e aprovou (vide pesquisas Atlas e Paraná Pesquisas) com amplíssima maioria, em todo o país, a megaoperação no Rio — e quer outras!

Outro que, de inexpressivo, passou a protagonista de uma guinada de imagem importante foi o Governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Exercendo seu segundo mandato — o primeiro substituindo Wilson Witzel, que foi cassado — não poderia ir para uma nova reeleição e nem tinha “cacife” para ser um “presidenciável”. Certamente, ficaria fora do cenário político após o próximo pleito.

Mas agora — como as coisas mudam da noite para o dia — Castro está sendo cotadíssimo para ocupar uma das duas cadeiras do Senado, deixando bem para trás Benedita da Silva (PT), que criticou dura e pesadamente a operação no Alemão, caindo em descrédito com esse discurso.

E, por último, para quem o tema não vai nada bem é para o Governo Federal — Lula (PT), o Partido dos Trabalhadores e a grande maioria da esquerda brasileira.

Isso porque as questões ideológicas, o discurso, a política adotada e as severas críticas à “Operação Contenção” no Alemão caíram na antipatia de quem mais é o termômetro de capital político: a população!

O Instituto Real Time Big Data apontou que 74% dos brasileiros discordam de Lula (PT) e acreditam que a megaoperação foi um sucesso (CNN; 06 nov 25).

Isso coloca o Presidente e seu Governo em xeque, e ele vai precisar convencer o eleitor de que estão corretos.

O gasto com publicidade de 2025 “teve uma disparada para R$ 876 milhões na verba para propaganda oficial do governo, na comparação com o que foi reservado em 2024 e 2023, de R$ 598 milhões e R$ 531 milhões, respectivamente” (Gazeta do Povo; 06 nov 25).

Trocando em miúdos: você e eu vamos bancar o Governo Federal a, também, tentar — entre outras coisas — com o meu e o seu dinheirinho, convencer o brasileiro de que a política do desencarceramento, desarmamento, “desmaconhamento”, do banditismo ao invés do terrorismo, etc., são o melhor para a nação.

Particularmente, creio que o saldo dessa megaoperação ainda vai aumentar, visto que o brasileiro aprovou o ocorrido no Alemão e, pelo que parece, Castro (PL) colaborou para que a visão de segurança pública seja rediscutida com um exemplo prático.

Se foi bom ou ruim é amplamente discutível. Por outro lado, se foi certo ou errado, ficou categoricamente aprovado pelo brasileiro.

Ou seja, muita água vai rolar! Aguardemos.

É isso!


Dr. Marcos Túlio S. Bandeira

Bacharel pela USF-Universidade São Francisco de Bragança Paulista. Advogado e Presidente da 16a Subseção da OAB de Bragança Paulista 2013/2015. Mestre em Direito pela UNIMEP de Piracicaba. Professor de Direito e Coordenador na UNIDRUMMOND – Grupo Carlos Drummond Andrade.

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**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

Foto da publicação: FreePik

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O Movimento Advocacia Independente (MAI) é uma associação privada sediada em São Paulo, Brasil. Seu foco principal é a defesa de direitos sociais, atuando como uma organização voltada para a advocacia e questões jurídicas.
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