Esquema de direcionamento de presos
O Ministério Público de Roraima apurou que o delegado Rick da Silva e Silva realizava uma triagem dos presos, impedindo a assistência gratuita da Defensoria Pública. Em seguida, direcionava os casos para a advogada Bereneude Lima Fernandes. Em troca, os dois repartiam os honorários cobrados.
Testemunhas confirmaram o esquema e relataram cobrança de propinas em dinheiro vivo. Uma análise de dados da polícia revelou que a maioria das prisões em flagrante com atuação dessa advogada foi conduzida apenas por Rick. Para o juiz Raimundo Anastácio Carvalho, a estatística afastou a tese de coincidência profissional.
Obstrução de investigações
Além do direcionamento de clientes, Rick usava suas senhas de acesso aos sistemas de segurança para relaxar flagrantes mediante vantagem indevida e ocultar inquéritos. No caso de um duplo homicídio, o delegado é investigado por sabotar a cena do crime e sonegar provas que o vinculavam como devedor de uma das vítimas. O casal de empresários mortos operava esquema de agiotagem.
O magistrado destacou na decisão judicial que houve claro aparelhamento da instituição policial para fins espúrios.
Medidas cautelares e processo administrativo
A Justiça determinou o afastamento do delegado, a apreensão de armas e distintivos, o bloqueio de acessos a sistemas policiais e a proibição de contato com testemunhas. Rick também está proibido de entrar em qualquer delegacia do estado. O afastamento vale até 28 de outubro de 2026. O juiz afirmou que a atuação do delegado representa ameaça direta à instrução criminal.
A prisão foi acompanhada pela Corregedoria-Geral de Polícia Civil (Corregepol), que abriu procedimento administrativo para apurar a conduta do delegado.
Operação Conluio
A Operação Conluio investiga o envolvimento de servidores públicos e outras pessoas na morte do casal de empresários. A ação foi deflagrada pela Delegacia Geral de Homicídios (DGH) em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Roraima, com apoio do Departamento de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Sesp).
Os suspeitos podem responder por corrupção passiva, prevaricação, lavagem de dinheiro, fraude processual e coação no curso do processo. O g1 procurou a defesa do delegado e a Polícia Civil, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem.
📄 Documentos Relacionados
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